Brasília - A decisão do Campo Majoritário do PT de trabalhar pela anistia do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu foi criticada por parlamentares de vários partidos - inclusive do próprio PT. Para o senador petista Eduardo Suplicy (SP), a idéia não se sustenta enquanto houver dúvidas quanto à participação de Dirceu no mensalão.
''Antes da anistia, tudo tem que ser, ainda, objeto muito maior daquilo que aconteceu e que até agora não foi inteiramente explicitado'', alegou o senador. Suplicy lembrou ter defendido, no decorrer da CPI dos Correios, que José Dirceu comparecesse ao Congresso para se defender - proposta que o ex-ministro rejeitou.
Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (SP), a anistia ''seria um tapa na face do povo brasileiro''. ''Deu a louca no PT'', reforça o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ).
Outro pefelista, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (SP), considera a idéia ''uma afronta a todo o trabalho de investigação feito em defesa do Congresso'' e ''uma tentativa sem sentido de pressionar os parlamentares''. Tuma prevê que, se levada adiante, a absolvição de José Dirceu na Câmara refletirá no Judiciário, onde ele foi denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, como um dos chefes do esquema do mensalão.
Para Tuma, ''a população não vai entender, seria uma afronta, um desequilíbrio perante a sociedade''.
''A eleição do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para a 1 Secretaria da Câmara mostra que muitos parlamentares defendem claramente a ética dentro do Congresso'', prosseguiu o deputado pefelista. Serraglio foi o relator da CPI dos Correios, que recomendou a cassação de Dirceu - aprovada depois no Conselho de Ética e pelo plenário.

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