Brasília - A oposição e até mesmo um senador da base governista criticaram o pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi ao ar anteontem à noite, em rede nacional de rádio e TV. O inventário otimista das ações do governo e a menção de Lula ao processo ''truncado'' de avanço na saúde por causa do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) serviram de munição aos adversários.
Embora a estocada na oposição tenha sido leve, tanto tucanos como integrantes do DEM reagiram em decibéis elevados. ''Lula deveria fazer uma discussão séria e honesta sobre o gasto público, o Orçamento e os investimentos, mas isso nunca ocorreu nos cinco anos do governo dele'', protestou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). ''Basta ver a tramitação do Orçamento no Congresso, que é um escândalo.''
Senador da base de apoio do governo, Romeu Tuma (PTB-SP) disse que, ao assistir ao pronunciamento, confirmou ter agido corretamente quando votou contra o governo. Tuma foi um dos seis aliados que desobedeceram à recomendação do Planalto e rejeitaram a prorrogação da CPMF. ''O presidente foi réu confesso'', provocou. ''Ele disse que o dinheiro do imposto do cheque seria usado para a assistência médica das crianças. O que foi feito com a CPMF nesses anos todos, se o governo admitiu que não fazia o que já deveria ter feito? Fiquei chocado.''
Um dos articuladores da derrota do Planalto, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), foi na mesma linha. ''Lula insistiu em que a CPMF era responsável pelos investimentos na saúde. Então, como é que nos cinco anos do governo Lula a saúde chegou a esse estado lamentável em que chegou?''
Tanto o DEM como o PSDB destacaram que o presidente ''faltou com a verdade'' ao lembrar que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinaria mais R$ 24 bilhões para a saúde até 2010. ''São R$ 15 bilhões até 2010, dinheiro que mal dá para pagar a revisão das tabelas do SUS (Sistema Único de Saúde)'', devolveu Guerra. Na prática, o número citado por Lula refere-se aos recursos previstos até 2011.
''Lamentavelmente, os brasileiros testemunharam, pelo quinto ano consecutivo, o fracasso do governo Lula na saúde, educação e segurança pública'', atacou o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). ''Se o presidente fosse verdadeiro, faria mea-culpa pelas falhas absurdas do seu governo na prestação dos serviços essenciais e pela ausência absoluta de medidas para conter os índices crescentes de violência e criminalidade.''
O balanço vitorioso que Lula fez da economia brasileira também foi alvo da artilharia oposicionista. ''Foi uma mensagem ufanista para quem está desinformado porque o crescimento do Brasil é menor do que o de todos os vizinhos e do que a média da América do Sul'', disse Agripino.

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