Oposição critica negociação de contrato com a CEF
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os deputados estaduais de oposição ao atual governo - e futura base do governador eleito Beto Richa (PSDB) - criticaram, ontem, as negociações do governo estadual com a Caixa Econômica Federal (CEF) para administração da folha de pagamento dos aposentados e pensionistas do Estado. Ademar Traiano (PSDB), futuro líder do governo na Assembleia Legislativa, ameaçou que o próximo governo poderá romper tal contrato para ''salvaguardar os interesses do povo'' porque os recursos ''estão indo pelo ralo''.
O contrato atual com a CEF vence em janeiro de 2011. A CEF teria oferecido, inicialmente, R$ 30 milhões pela renovação do contrato para administrar uma folha de pagamento que estaria em R$ 260 milhões. Com as negociações, o valor já estaria em R$ 90 milhões. No entanto, os deputados da oposição acreditam que, com a abertura de um processo de licitação que incluísse bancos privados, o valor poderia chegar a R$ 150 milhões.
''O governo poderia postergar o contrato atual por mais quatro, cinco meses e deixar para que o novo governador fizesse a licitação. Mas o governador (Orlando Pessuti) está com uma 'fome louca'. Estão vendendo o Paraná'', discursou Traiano.
O deputado Valdir Rossoni, presidente do PSDB, juntou-se ao coro de Traiano. ''A partir de janeiro nós vamos tomar uma atitute, vamos anular esses contratos. Não vamos deixar que eles governem o nosso governo'', disse ao incluir um aditivo contratual para fornecimento de comida aos presos do Estado, que venceria em 31 de dezembro.
Líder do governo, o deputado Caíto Quintana (PMDB) defendeu que a negociação para o contrato com a CEF vai além de uma simples transação financeira. ''Não é quanto ela paga pelas contas, é o que ela faz como parceira do Estado. O Estado não pode deixar de prorrogar contratos porque tem governador novo'', argumentou. Sobre as ameaças de posterior rompimento, Quintana respondeu exemplificando com as tentativas frustradas do ex-governador Roberto Requião (PMDB) em questionar judicialmente contratos com as concessionárias de pedágio.
A reportagem entrou em contato com as secretarias de Planejamento e Coordenação Geral, Fazenda e Receita Estadual, Administração e Previdência e com a ParanaPrevidência, mas não conseguiu detalhes sobre a negociação com a CEF. Pessuti confirmou que tem conversado com a presidente do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho, informou que tudo está sendo feito de ''forma transparente'', mas não quis comentar as declarações dos deputados de oposição.


