Curitiba - A bancada de oposição na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná criticou ontem a decisão do governo estadual em conceder aumento de salário - de até 128% - aos aproximadamente 4 mil servidores em cargo de comissão que fazem parte da estrutura do Estado. ''É de novo uma contradição entre o que se fala e o que se faz. O governo vem até a AL e faz uma prestação de contas que indica que o Paraná está quase alcançando o limite de gastos permitido na folha de pagamento. Logo depois aumenta os salários. E o tão falado choque de gestão não aparece, pois este governo manteve praticamente o mesmo número de comissionados do governo anterior e ainda dá aumento'', criticou o líder da oposição na Casa, deputado Ênio Verri (PT).
Outro deputado petista, Tadeu Veneri defendeu que o reajuste salarial fosse discutido com os deputados primeiramente e que, ao invés de ser por decreto, o Executivo enviasse um projeto de lei sobre o reajuste, assim como acontece para as categorias funcionais, como professores ou policiais. ''É mais democrático'', opinou.
O secretário-chefe da Casa Civil, Durval Amaral, justificou que o aumento é o equivalente à recomposição da inflação desde 1998 e que a defasagem dos últimos anos deixou o Executivo com salários mais baixos do que outros Poderes, como o Judiciário. O impacto na folha de pagamento é considerado pequeno: o equivalente a 0,3% do total. Os maiores valores pagos a cargos comissionados agora são de R$ 7.494,62 (para funcionários com vínculo com o Estado) e R$ 8.327,35 (para servidores sem vínculo).
Líder do governo na AL, o deputado Ademar Traiano (PSDB) saiu em defesa do decreto. Para Traiano, não havia necessidade de o Executivo pensar em um projeto de lei para tramitar na Casa justamente porque apenas fez a reposição salarial, com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). ''Essa defasagem ameaçava afastar os bons profissionais da administração pública'', defendeu o deputado. O decreto 2.970, assinado pelo governador Beto Richa (PSDB), foi publicado no último dia 11. A medida passa a valer a partir do próximo pagamento.
Na próxima semana, o deputado Fabio Camargo (PTB) também promete reivindicar junto à Mesa Executiva da AL um aumento de salário aos funcionários comissionados da Casa. A assessoria jurídica do deputado está estudando a melhor forma de fazer o pedido. Segundo o parlamentar, eles não recebem reajuste há mais de cinco anos.

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