Oposição cria cargos e briga por nomes
Leandro Donatti
De Curitiba
O verniz é de unidade, mas a disputa pela liderança da oposição na Assembléia Legislativa do Paraná já começou. Os deputados do PMDB, PT e PDT se engalfinham nos bastidores para escolher o líder do novo e inédito cargo, criado oficialmente ontem. Os deputados liquidam a matéria na sessão de hoje, com uma novidade: além da liderança da oposição ficam instituídos ainda os cargos de vice-líder do governo e vice-líder da oposição.
Orlando Pessuti (PMDB) e Edgar Bueno (PDT) falam como candidatos. O PT não escolheu ainda um nome, mas segundo o líder da bancada, Péricles Holleben, o partido pleiteia a indicação. O PSDB, representado por José Maria Ferreira (o único a se portar como de oposição), deve apoiar um dos pré-candidatos. O cargo de 2º vice-líder, para o qual foi eleito na primeira semana de setembro, o impede de ser líder da oposição.
Apoiamos o Caíto (Quintana, do PMDB) e o Zé Maria na eleição da mesa e agora queremos a liderança, assinalou ontem o líder do PT. Péricles Holleben disse que a sigla apóia o sistema de rodízio, idéia lançada na semana passada por Orlando Pessuti, mas defende que a escolha do líder saia dos quadros de deputados do PT ou do PDT. Holleben adiantou que não tem disposição em concorrer à indicação no PT.
Sou candidato à Prefeitura de Ponta Grossa, justificou Péricles de Holleben. Edgar Bueno adotou o mesmo discurso do líder do PT e disse ontem que topa o rodízio, que poderia começar por ele (que é candidato declarado) ou pelo PT. É um cargo muito importante que devemos desempenhar com competência, assinalou.
Pessuti defendeu uma reunião da oposição para a semana que vem. Queremos a unidade. Não adianta nada brigarmos pela liderança. Não vetamos ninguém. O PT e o PDT têm o direito de pleitear, afirmou o deputado, pondo panos quentes na disputa doméstica já esboçada. Pessuti diz que tem o apoio da maioria da bancada do PMDB. O deputado não vê problemas em acumular as funções de líder do PMDB com a de líder da oposição.
A escolha do novo líder da oposição e de seu vice não deve passar da semana que vem, visto à velocidade na tramitação da matéria. O projeto alterando o Regimento Interno passou em primeira discussão ontem e tem tudo para ser confirmado hoje. A criação da liderança foi aprovada por unanimidade. O presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB), não sabe quanto vai custar a inovação. Disse que não tem os números ainda, mas apóia a idéia, uma das pré-condições para receber o apoio da oposição na briga com Valdir Rossoni (PTB) pelo legado de Aníbal Khury (PFL), há cerca de três semanas.
Valdir Rossoni revelou que, só em cargos, uma liderança, seja do governo ou de oposição, custa entre R$ 10 mil e R$ 12 mil para os cofres da Assembléia. Fora outras vantagens comuns de uma liderança, como cota de fotocópias e carros. O deputado não quis entrar no mérito da questão até por que é o Poder Legislativo que banca a liderança do governo mas acompanhou os demais colegas na aprovação da lei que cria a liderança. Rossoni não tinha ainda candidato a vice-líder do governo.





