Oposição cresce e ameaça base de Lerner
Para se ter uma idéia da força política conquistada pela oposição no último domingo no Paraná, pode-se tomar como exemplo o desempenho do PPS, liderado pelo presidenciável Ciro Gomes. Na eleição passada, em 1996, o partido elegeu apenas quatro vereadores em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro). Neste ano, o PPS conseguiu eleger 270 candidatos em 128 municípios. São 15 prefeitos, 28 vice-prefeitos e 216 vereadores. E o partido ainda tem os dois candidatos a vice-prefeito disputando coligados ao PT o segundo turno em Londrina, com Luiz Carlos Bracarense, e Curitiba, com José Maurino.
O deputado federal e presidente do PPS no Paraná, Rubens Bueno, avalia que a eleição deste ano foi um grande divisor de águas. O povo está cansado da mesmice do jogo político feito de conchavos. Foi um voto sério, que representa uma mudança radical na política brasileira, justifica. Bueno garante que o cenário político para 2002 ficou mais favorável aos partidos de oposição e não descarta o lançamento de um candidato próprio para disputar o governo do Paraná.
Tínhamos os quadros e, agora, a massa, garante. Para o presidente estadual do PPS, o partido também aumentou sua força nacionalmente. Em todo o Brasil, o PPS conquistou 158 prefeituras, 324% a mais do que em 1996, quando foram eleitos 33 prefeitos. Bueno aposta que esses resultados fazem com que o PPS tenha condições plenas de disputar a Presidência da República com Ciro Gomes.
Outro bom exemplo do avanço da oposição é o PT. O partido elegeu em 96 seis prefeitos. Desses, o município mais importante era União da Vitória (com mais de 35 mil eleitores). Neste ano, o PT conquistou oito prefeituras, entre elas Ponta Grossa (o quarto maior colégio eleitoral do Estado, com 182,5 mil eleitores). Além disso, está no segundo turno nas três maiores cidades do Estado: Curitiba, Londrina e Maringá.
Na eleição passada, o PDT ficou com apenas 11 prefeitos dos 111 que elegeu com o apoio direto do governador Jaime Lerner (PFL), que ainda estava filiado ao partido. Por isso é que a eleição de 19 prefeitos, 25 vice-prefeitos e mais de 300 vereadores no último domingo está sendo comemorada pelo presidente do diretório estadual do PDT, Nelton Friedrich. O mais importante é que nossos candidatos não venceram à sombra do poder. Crescemos em qualidade, graças às nossas críticas e propostas apresentadas durante a campanha, destacou.
O PDT ainda pode melhorar seu desempenho no Estado, já que vai disputar o segundo turno em Londrina, com Homero Barbosa Neto, e em Maringá, onde Décio Sperandio é vice na chapa encabeçada por Manoel Batista da Silva Júnior (PTB), o Dr. Batista. No primeiro turno, o PDT elegeu o prefeito de Cascavel, Edgar Bueno. Um dos mais ferrenhos críticos da administração Lerner, Bueno vai comandar, a partir de janeiro, o sexto maior colégio eleitoral do Paraná, que tem 159,3 mil eleitores.
Mesmo elegendo 81 prefeitos, apenas cinco a mais do que há quatro anos, o PMDB também se considera vencedor nesta eleição municipal. O deputado Nereu Moura, líder do partido na Assembléia Legislativa, não se cansa de repetir que Lerner foi o maior derrotado no domingo. É claro que o Requião (senador Roberto Requião, PMDB) e o Alvaro (Dias, senador pelo PSDB) também saíram arranhados, mas isso os compromete menos, comparou. Moura também não poupa elogios ao desempenho do colega Ângelo Vanhoni (PT) em Curitiba. Ele é a liderança emergente da política do Paraná.
O líder do PMDB acredita que a oposição tem que aproveitar o momento favorável e, por isso, cobra uma definição dos deputados do PSDB. Os deputados tucanos precisam assumir uma identidade firme, de oposição ou situação. Dos seis deputados estaduais do PSDB, apenas José Maria Ferreira faz parte da bancada de oposição.





