Representantes dos partidos de oposição duvidaram do resultado apontado pela pesquisa do Ibope, que indicou o crescimento do presidente Fernando Henrique e a queda do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo eles, não ocorreu nenhum fato relevante capaz de provocar a vantagem de 17 pontos porcentuais a favor do presidente. Além disso, garantem que Lula estará no segundo turno contra Fernando Henrique. ‘‘Com certeza, a eleição será decidida em dois turnos e Lula estará nele’’, disse o senador José Eduardo Dutra (PT-SE).
Para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), os dados das pesquisas só poderiam ser levado a sério se houvesse no País ‘‘uma multiplicidade de institutos de opinião’’. Miro garantiu que os números não refletem a realidade. ‘‘Esse veneno não nos atinge’’, frisou. ‘‘Estamos entusiasmados e vamos ganhar as eleições’’, diz Miro, afirmando que as pesquisas ‘‘fazem parte do circo das eleições’’, mas não garantem o resultado final das urnas.
Também o líder do PT na Câmara, deputado Marcelo Déda (SE), põe em dúvida o resultado. Ele acredita que, quando muito, pode ter ocorrido o reflexo da ‘‘overdose de publicidade’’ do governo. ‘‘Até o aniversário do Real foi utilizado como tentativa de convencer o eleitor’’, afirmou. Déda acha que, qualquer que sejam essas previsões, haverá segundo turno - com Lula.
O senador Roberto Freire (PPS-PE) disse que não gosta de ‘‘brigar com as pesquisas, mas que nessa última não viu nenhum acontecimento que justificasse o crescimento do apoio a Fernando Henrique. ‘‘A não ser as boboseiras dos 13 pontos apresentadas por Lula no lançamento da campanha’’, alegou.
Candidato a vice na chapa de Ciro Gomes (PPS), Freire previu que o candidato do partido crescerá ‘‘quando passar a ser conhecido pela população’’. Para ele, os resultados da pesquisas podem ser contestados principalmente no Sul do País, onde FHC cresceu sem ter feito nada que justificasse essa mudança.
FHC não quis comentar os resultados da pesquisa do Ibope que indicam sua vitória em primeiro turno. ‘‘Como de hábito, o presidente não fala sobre pesquisas’’, informou o porta-voz da presidência, Sérgio Amaral.
Segundo Amaral, os levantamentos mais recentes demonstram ‘‘uma considerável volatilidade’’ da opinião pública, que ainda está formando opinião sobre os candidatos à presidência, e também corroboram a tese da ‘‘sazonalidade’’ de FHC.

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