Curitiba - A criação de 139 cargos de comissão e 135 funções gratificadas no governo do Paraná motivou novo embate entre oposição e situação, ontem, na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. ''É surpreendente que estes cargos estejam sendo criados nos últimos dias do ano, após um período eleitoral'', criticou o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), conectando a abertura de vagas à derrota eleitoral do grupo político de Beto Richa (PSDB) em Curitiba. ''Todos os projetos que o governo cita para justificar as contratações já existiam antes da eleição, então por que não tinham sido criados?'', atacou o petista.
Ademar Traiano (PSDB), líder do governo na AL, disse que não se tratava de abrigar aliados políticos, mas enfrentar o ''sucateamento do Estado''. ''É o método mais rápido para a contratação de pessoal, depois o governo com certeza fará concurso público para essas vagas. Veja a dificuldade de manter engenheiros no quadro próprio do governo com aquilo que é pago a eles'', argumentou o tucano, referindo-se aos 135 cargos a serem criados na pasta de Infraestrutura e Logística, comandada por Pepe Richa, irmão do governador.
A criação da autarquia Paraná Edificações, que centralizará licitações e fiscalização das obras públicas, e a equiparação de remuneração de servidores da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Instituto de Terras, Cartografia e Ciências (ITCG) e Instituto de Águas do Paraná àquilo que paga a recém-criada Agência de Defesa Agropecuária (Adapar), puxaram a criação das funções gratificadas. Estima-se que, entre cargos de livre nomeação e novas funções, chegue a R$ 14 milhões por ano o impacto dessas medidas na folha de pagamento.
''É o maior aumento dessa natureza em dois anos'', reclama Veneri, contra a tentativa do líder do governo de ''não por tudo no mesmo pacote'', transformando mudanças em diferentes órgãos da administração pública num único debate sobre cargos comissionados. Indiferente a essa polêmica, três novos projetos do Executivo começaram a tramitar na AL nesta semana, prometendo o acirramento da polêmica. O primeiro cria gratificações mensais aos funcionários do Detran, que variam de R$ 250 a R$ 800. O segundo altera o plano de carreira dos funcionários da Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), prevendo a demissão de 280 celetistas. Por último, há a intenção de transformar a Imprensa Oficial numa empresa pública, desatrelada do Estado.

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