Curitiba - O infindável debate sobre o pedágio no Paraná movimentou mais uma vez a Assembléia Legislativa na tarde de ontem. A pedido do líder do governo Natálio Stica (PT), o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Rogério Tizzot, esteve ontem na AL para apresentar um panorama da malha viária do Estado. Os questionamentos dos deputados, porém, acabaram se voltando para o sistema atual de cobrança nas estradas e a proposta do governador Roberto Requião de implantar um pedágio de manutenção no Estado, a preços cinco vezes menores do que os praticados pela iniciativa privada atualmente.
A apresentação de Tizzot, que foi precedida de uma breve exposição do secretário estadual de Transportes, Waldir Pugliesi, tratou basicamente de dois pontos: a promessa de investir mais de R$ 500 milhões na recuperação da malha viária do Estado e as críticas à situação das estradas e aos contratos de pedágio deixados pelo ex-governador Jaime Lerner (PSB). ''Devido a aditivos assinados por Lerner, obras importantes como o contorno norte de Londrina foram adiados'', explicou Tizzot.
Como a ida de Tizzot à Assembléia já havia sido anunciada na semana anterior, os deputados de oposição reuniram material para atacar a atuação do DER e da Secretaria de Transportes. Uma das denúncias referiu-se ao mau-uso da verba que o DER recolhe das concesisonárias anualmente, que chega a quase R$ 18 milhões. Segundo o deputado Durval Amaral (PFL), embora esse dinheiro por lei tenha que ser aplicado na Polícia Rodoviária, ele foi desviado para que Requião aparelhasse a Patrulha Escolar nos municípios. ''É uma violação grave à Lei das Concessões, e temos notícias inclusive de que diretores que se recusaram a compactuar com essa ilegalidade foram exonerados'', afirmou Amaral.
Outra acusação contra o governador partiu do líder da bancada de oposição, Valdir Rossoni (PSDB). O tucano citou trecho do discurso de Requião na abertura dos trabalhos da Assembléia, quando o governador afirmou que havia conseguido baixar o preço das tarifas das concessionárias Rodovia das Cataratas e Caminhos do Paraná sem que houvesse redução nos investimentos nas estradas como contrapartida. Tizzot, porém, confirmou que as empresas estavam desobrigadas a realizar obras de porte no local em troca da redução das tarifas.
''Esse governo não consegue chegar a um acordo. O governador vem e diz uma coisa, quando o diretor-geral do DER diz outra. E pela cópia do contrato que eu tenho em mãos, as concessionárias realmente não estão obrigadas a realizar novos investimentos nas estradas'', afirmou Rossoni.

mockup