Oposição condena liberação de recursos
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sexta-feira, 10 de julho de 1998
José Fernando da Silva 
O candidato à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a liberação de R$ 1,1 bilhão, a ser distribuído pelo governo federal entre 40 cooperativas do Paraná, como sendo mais uma peça de propaganda do governo para garantir a reeleição do presidente Fernando Henrique (PSDB). Este pessoal do governo está brincando com o povo, disse Lula.
Jaime Lerner (PFL), governador e candidato à reeleição no Paraná, confirmou que Fernando Henrique deve estar num encontro com representantes de cooperativas em Maringá (Norte), em 7 de agosto. De acordo com a assessoria de imprensa da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o presidente Fernando Henrique vai assinar o repasse de R$ 1,1 bilhão dos cofres do governo para 40 cooperativas do Paraná. Este dinheiro vem do Programa de Revitalização da Cooperativas (Recoop).
O Fernando Henrique está querendo fazer em 90 dias o que não fez durante seu governo inteiro, afirmou Lula. O candidato do PT, recebeu apoio de Requião, que condenou o governo Fernando Henrique pela falta de apoio na agricultura e indústria. Caso nós tenhamos mais quatro anos de governo FHC, nós não teremos mais indústria nacional, disse o candidato do PMDB no Paraná.
Requião comparou Lula a um intelectual orgânico da classe operária, conceito desenvolvido pelo teórico marxista italiano Antonio Gramsci. Lula nasceu em Pernambuco, perdeu um dos dedos no trabalho e Fernando Henrique perdeu os cinco na mentira, declarou Requião, numa referência aos cinco pontos do programa da campanha do presidente em 1994.
Antes da entrevista coletiva à imprensa, Lula, Requião e Brizola se alternaram em discursos contra os governos de Fernando Henrique e Jaime Lerner. Brizola disse que o presidente não conhece o Brasil e que só passou pelo Norte do Paraná de avião, confundindo os imensos campos de trigo e soja com campos de golfe. Para Brizola, Fernando Henrique conhece mais a Europa do que a realidade do povo brasileiro.
Lula prometeu dobrar o poder aquisitivo do salário mínimo e não somente seu valor nominal, como fez Fernando Henrique. Para ele, aumentar o salário mínimo não é custo e sim renda, pois uma vez repassados aumentos para salários, o dinheiro vai girar na economia do país. Precisamos cumprir o preceito constitucional, afirmou Lula.
Mercosulá O candidato do PT disse que é defensor da integração da América Latina, mas que entende o Mercosul não só como um acordo comercial, mas como um mecanismo de integração dos trabalhadores e da cultura. Lula defendeu a adoção de políticas compensatórias para os produtos nacionais e não afastou nem mesmo a hipótese de dar subsídios a pequenos e médios produtores. Ele disse ser esta uma prática adotada por vários países e citou o arroz que está sendo importado dos Estados Unidos que é subsidiado.
Nós temos que proteger nossos produtos até a gente ficar competitivo, afirmou Lula, que evitou comentar como seria seu relacionamento com o presidente argentino Carlos Menem. Eu não estou preocupado com Menem, declarou Lula.
Para Brizola, o país está em crise, principalmente o Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ele apontou como beneficiários da crise as pessoas que estão no poder. Ele disse que a candidatura Lula reúne o PDT não somente em torno de uma candidatura, mas sim de uma causa. Brizola não deixou de atacar Lerner ao compará-lo com Judas. Cristo teve que escolher só doze e tinha um desgraçado ali dentro, acusou Brizola.


