Oposição cobra explicações sobre mensalão
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segunda-feira, 06 de junho de 2005
Leila Swwan e<br>Fernanda Krakovics<br>Folhapress 
Brasília - Em forte reação ao escândalo do ''mensalão'', mas com cautela no ataque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição no Senado apresentou ontem requerimentos convidando o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), cinco ministros e outros 24 políticos e empresários para explicar a denúncia de que o PT pagava mesada de R$ 30 mil a deputados da base aliada. Enquanto cobravam explicações do presidente Lula sobre sua suposta prevaricação, os tucanos acenavam ao Planalto com ''saídas políticas'' para poupar o presidente e evitar uma crise institucional generalizada, numa espécie de pacto de governabilidade.
Orientados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ''a não jogar fogo no paiol'', líderes do PSDB sugeriam a montagem de um ''governo de salvação'' até as eleições. ''Lula tem que repensar toda sua equipe e montar um governo de salvação'', disse o líder do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP). ''Temos que oferecer uma saída política, mas os partidos de sua aliança não lhe servem mais. Tem que jogar o lixo fora e aguentar mais um ano e meio.''
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente do PTB disse que o ''mensalão'' era pago pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, a deputados do PP e do PL. O deputado disse ter avisado Lula do esquema no começo do ano, quando teria cessado o esquema.
No Senado, o líder tucano Arthur Virgílio (AM) disse que Lula deve ser investigado pelo crime de responsabilidade, mas evitou falar em impeachment. ''O Brasil não pode viver essa experiência sempre. Isso não pode virar arroz de festa. É mais fácil Lula se livrar dos indesejáveis dele que o Brasil se livrar de Lula'', disse o tucano.
Virgílio é o autor dos requerimentos de convite para os 30 personagens do caso do mensalão e do esquema de propina nos Correios. O pedido para que explicações sejam prestadas na CFC (Comissão de Fiscalização e Controle), deve ser votado nesta semana. Além de Jefferson, foram chamados os ministros José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci Filho (Fazenda), Ciro Gomes (Integração Nacional), Walfrido Mares Guia (Turismo) e Aldo Rebelo (Coordenação Política). Estão na lista também o presidente do PT, José Genoino, e o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, além de outros dez deputados citados.
O líder da minoria, senador José Jorge (PFL-PE), também apresentou convite para Jefferson se explicar na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
O tom na bancada pefelista era menos conciliador, com referências à possibilidade de impeachment, caso seja confirmada a falta de providências de Lula com relação às denúncias. ''Não é porque podemos chegar a um impeachment que vamos deixar de investigar o presidente. Se tiver de chegar a isso, infelizmente chegaremos a isso'', disse o líder do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ).
O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) desconsiderou a ponderação tucana com o presidente: ''Talvez estejamos dimensionando melhor a gravidade das denúncias''. Ambos líderes da minoria, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) e senador José Jorge, fizeram alusões ao caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello. ''Crise política já existe, o governo alugou uma parcela do parlamento'', disse Aleluia.
PSDB e PFL estavam de acordo que as investigações do ''mensalão'' deverão ser conduzidas pela CPI dos Correios, criada para investigar suposto esquema de corrupção nessa estatal, que seria comandado por funcionários indicados por aliados do governo.


