Curitiba - ''O governo Beto Richa (PSDB) cria um cargo comissionado no Paraná a cada 48 horas'', afirmou ontem o líder da oposição na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Tadeu Veneri (PT). Utilizando dados levantados pela bancada, o político questionou um aumento de 91% na contratação de funcionários sem concurso público na atual administração. Veneri diz que Beto recebeu o governo com 3.983 vagas comissionadas, mas que em dezembro de 2012 o número teria subido para 4.281 cargos. Em reais, a despesa teria ido de R$ 9,2 milhões para R$ 17,6 milhões. ''Não adianta falar de redução de gastos e não controlar as despesas com pessoal'', disse o petista.
A resposta do governo foi dada pelo deputado Ademar Traiano (PSDB), líder de Beto na AL. Ele rebateu dizendo que a situação no governo federal é a mesma, ''com a presidente Dilma Rousseff (PT) criando 34 novos cargos comissionados por dia''. ''Pare de tentar antecipar o processo eleitoral'', disse Traiano para o petista. Em 2014, o cenário político aponta para um confronto entre PSDB e PT pelo comando do Palácio Iguaçu, com Beto Richa indo para a reeleição contra a ministra Gleisi Hoffmann. Traiano chamou a crítica de Veneri de ''picuinha''. ''Vamos nos mirar no exemplo dado pelo governador e pela presidente no encontro de Cascavel, onde os dois demonstraram que podem trabalhar juntos'', amenizou Traiano.
O debate surgiu assim que foi confirmado o recebimento de mensagem do Executivo que cria a Secretaria de Estado de Governo. A pasta irá abrigar Cezar Silvestri (PPS), aliado político dos tucanos, e receberá parte dos servidores da Casa Civil. No texto da proposição, essas secretarias e a Procuradoria Geral do Estado receberiam 41 novos cargos comissionados. ''Não há lógica nestas medidas'', reclama Veneri. Traiano justifica dizendo que ''esse tipo de contratação dá mais celeridade à administração pública''. A proposição tramita na Assembleia em regime de urgência, aprovado pelo plenário.

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