O debate sobre a abertura ou não da Comissão Processante (CP) da Centronic contra o prefeito Barbosa Neto (PDT), na Câmara de Londrina, promete ser acirrado. Para ser criada, a CP precisa do apoio de pelo menos 13 dos 19 vereadores e, nos bastidores, até o momento, a oposição contaria com 12 votos (veja quadro) favoráveis à abertura da investigação - um a menos do que o mínimo necessário. No entanto, o placar pode mudar até a próxima quinta-feira, quando a Casa promete colocar a questão na pauta do plenário. Até lá, integrantes tanto da oposição quanto da situação podem trocar de grupo e a aproximação das eleições pode ter influência direta em alguns casos.
O vereador Eloir Valença (PHS) enfrenta um impasse partidário. Nos últimos eventos realizados pelo Executivo, ele compareceu e teceu elogios ao prefeito Barbosa Neto, dando indícios de ter migrado para a base, apesar de ter durante todo o ano passado criticado a administração no plenário da Câmara durante seus discursos. O PHS é um partido de oposição e seu presidente local, Marcos Defreitas, já disse que a legenda não abriria mão do voto favorável ao pedido de abertura de CP. Os vereadores de oposição já não contam com o voto de Valença, embora a questão sobre a obediência ao partido pode ter peso na decisão do parlamentar.
A situação de José Roque Neto (PR), o Padre Roque, é parecida. O parlamentar migrou da oposição para a situação no final do ano passado. Como o PR está conversando sobre possíveis alianças tanto com o PDT, partido do prefeito, quanto com o PT, partido de oposição, o voto do vereador pode mudar no plenário.
Já o PMDB local está atualmente dividido - parte dos filiados é favorável a uma aproximação com o PDT e outra parte defende candidatura própria, o que pode influenciar o voto de Tito Valle. Nesse caso, a oposição perderia um voto.
Já os vereadores Ivo de Bassi (PTB) e Antenor Ribeiro (PSC) enfrentam uma situação semelhante, que pode provocar a saída dos parlamentares da Casa. Bassi vai ser julgado na próxima segunda-feira no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por suposta infidelidade partidária ao PTN, por ter deixado a legenda em outubro. Se for condenado, pode perder a cadeira. Já a vaga de Ribeiro, que assumiu após a morte do Pastor Renato Lemes (PP), está ameaçada pelo segundo suplente do PP, Marcos da Horta. Ribeiro era primeiro suplente da coligação PP/PRB em 2008, mas saiu do PP. Bassi e Ribeiro seriam favoráveis à CP.
Conforme a FOLHA mostrou ontem, a Mesa Executiva da Câmara de Londrina decidiu no início da noite de quinta-feira enviar o pedido de abertura de CP para deliberação do plenário. O pedido de CP foi protocolado pelo líder local do PMN, e ex-secretário de Defesa Social, Benjamin Zanlorenci, em fevereiro deste ano. O pedido é embasado no relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Centronic que constatou, entre outras supostas irregularidades, que dois vigilantes teriam trabalhado na rádio da família do prefeito com salários pagos com verba pública. O prefeito nega.

Imagem ilustrativa da imagem Oposição busca 'um voto' para abrir CP da Centronic
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