Oposição avalia caixa 2 de FHC em 98
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segunda-feira, 13 de novembro de 2000
Nelson Breve e Vera Rosa Agência Estado De Brasília 
Os líderes dos partidos de oposição (PT-PDT-PSB-PCdoB) se reúnem hoje às 15 horas na Câmara dos Deputados para avaliar a dimensão da denúncia de que o comitê eleitoral da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso deixou de declarar pelo menos R$ 10,1 milhões em doações para a campanha de 98, conforme reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada ontem.
A reportagem apresenta documentos de um suposto caixa 2 da campanha, onde teriam sido registradas supostas doações de empresários não comunicadas à Justiça Eleitoral. Oficialmente, o comitê eleitoral de Fernando Henrique declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) gastos de R$ 43 milhões com a campanha de 98.
As doações não declaradas, de acordo com a reportagem da Folha de S.Paulo estavam listadas em planilhas eletrônicas sigilosas do comitê. Tanto na campanha de 94 como na de 98, o presidente do comitê financeiro de FHC foi o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, que admitiu ter usado as planilhas, mas afirmou que todas as doações devidamente declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral. Não existiu sobra de campanha e nem despesas não contabilizadas, tudo foi declarado ao TSE, afirmou ontem.
O coordenador nacional da campanha do PT nas eleições municipais deste ano, João Paulo Cunha (PT-SP), disse ontem que os partidos que estavam coligados na defesa da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva em 98 devem definir uma ação conjunta para cobrar explicações sobre os fatos relatados na reportagem. Mas ainda não se cogita a criação de uma CPI para investigar a denúncia. Vamos esperar os desdobramentos e ver se as denúncias se confirmam, não queremos derrubar o governo alimentando uma coisa que não temos certeza se irá prosperar, justifica João Paulo.
Ele informa, no entanto, que duas medidas já estão decididas: uma ação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontando a suspeita de crime eleitoral pela sonegação de informações, falsidade ideológica e tentativa de arrecadação ilegal de doações de empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, e uma representação junto ao Ministério Público Federal pedindo a investigação das contas do comitê de campanha do presidente. Essas medidas estão sendo fundamentadas pela assessoria jurídica do PT e devem ser protocoladas até amanhã.
João Paulo considera que a denúncia de um suposto caixa 2 na campanha da reeleição do presidente Fernando Henrique revela a necessidade de uma reforma política que institua o financiamento público de campanhas. Isso mostra a falência absoluta da forma de arrecadar recursos nas campanhas; se em uma eleição para presidente da República, com todo o acompanhamento dos meios de comunicação, é possível sonegar informações, imagine o que acontece por aí à fora, questiona o deputado.
O ex-governador petista do Distrito Federal, Cristóvam Buarque, também defendeu a mudança no sistema de financiamento de campanhas. O Brasil precisa ter vergonha da forma como as campanhas são financiadas aqui, não podemos continuar deixando que os que têm acesso a banqueiros e latifundiários tenham privilégio, afirmou Buarque.
Se o presidente desrespeitou a lei, isso compromete a democracia e revela a hipocrisia do sistema atual, afirma o prefeito eleito de Recife, João Paulo Lima e Silva (PT).


