Oposição aumenta tom das críticas e vê CPI dos cartões como certa
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2008
Folhapress 
Brasília - A revelação de que um segurança da filha do presidente Lula gastou R$ 55 mil com cartões corporativos levou a oposição a aumentar o tom das críticas e dar como certa a criação de uma CPI. Os gastos foram chamados de ''mensalinho para alguns privilegiados''.
Ontem, a Folha de S.Paulo mostrou que João Roberto Fernandes Júnior, um dos seguranças de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente, usou cartão corporativo para pagar despesas de autopeças, materiais de construção e de munição. ''Me parece que o uso do cartão corporativo se transformou numa espécie mensalinho para alguns privilegiados do governo'', disse José Agripino (RN), líder do DEM no Senado. ''Eu já havia dito que o caso da ministra Matilde Ribeiro era só a ponta do iceberg'', complementou.
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) questionou ''por que o cartão estava com um segurança''. ''É um desvio que respinga no presidente da República. Aparentemente, é tudo muito estranho'', afirmou.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que os ministros e demais integrantes do Executivo estão utilizando o cartão corporativo como ''salário extra''. Para ele, ''a CPI é inevitável''. ''No Senado, nós só precisamos de 27 assinaturas. Se o governo fosse inteligente, abraçaria a idéia de se fazer uma CPI mista para contar com a participação de deputados'', disse.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que é a favor de uma apuração mais rigorosa sobre o caso. Mas afirmou que o atual governo já demonstrou ser mais transparente do que o anterior. ''Mas é possível que tenha havido abusos'', disse.
Para uma CPI mista, 171 deputados precisam assinar o requerimento de instalação. Autor da proposta de CPI, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) diz que a CPI não tenha como foco o caso de familiares do presidente. ''Queremos apurar o uso indiscriminado do cartão'', disse.


