O resultado parcial das eleições em segundo turno no País aponta o crescimento dos partidos de oposição, mas com um gosto amargo de frustração. A oposição vence no Rio de Janeiro, com Anthony Garotinho (PDT), deve ganhar no Rio Grande do Sul com Olívio Dutra (PT), e ainda tem Itamar Franco (PMDB), virtualmente eleito em Minas Gerais, como um político não alinhado com o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Como contraponto, no entanto, a oposição perde no Distrito Federal, onde o governador Cristovam Buarque (PT), um dos nomes mais cotados do partido para uma possível candidatura presidencial, acabou sendo derrotado por Joaquim Roriz (PMDB).
Mesmo decepcionados com a derrota de uma de suas principais estrelas, os partidos de oposição aumentaram seu poder de negociação com o governo federal. No primeiro turno, o PT elegeu Jorge Viana no Acre e o PSB garantiu a vitória em Alagoas com Ronaldo Lessa. No segundo turno, deve vencer no Amapá, com João Capiberibe (PSB), no Mato Grosso do Sul, com Zeca do PT (PT), no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro.
O presidente Fernando Henrique Cardoso ainda tem mais aliados do que adversários entre os governadores do País. Uma importante diferença, no entanto, é que nos quatro maiores Estados do País estão sendo vitoriosos políticos que não seguem sua orientação política. Antes da eleição, o PSDB tinha todos os governos no chamado ‘‘Triângulo das Bermudas’’ (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro). Tinha ainda um importante aliado no Rio Grande do Sul, quarto maior Estado, no pemedebista Antônio Britto. Agora, pelas indicações das urnas, o presidente só mantém um aliado nesses quatro Estados, com a eventual reeleição de Mário Covas (PSDB), em São Paulo.
Os resultados parciais apontam também mudanças significativas nas projeções de possíveis candidatos à sucessão de FHC em 2002. Se vencesse no DF, Cristovam Buarque se credenciava como o principal nome do PT para a candidatura presidencial. Agora, perde força, enquanto o gaúcho Olívio Dutra passa a ser uma estrela ascendente no partido.
Do lado governista, o PMDB foi o maior prejudicado. Vários dos caciques do partido foram derrotados, o que pode empurrar o partido para um distanciamento do governo federal. O governador Antônio Britto também perde terreno em relação a uma possível candidatura à sucessão de FHC.

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