Mesmo com o clima de vitória entre os governistas na véspera da votação da emenda da reeleição, a oposição apostava ontem na derrota do governo. As principais lideranças oposicionistas não abandonaram as articulações para atrair os indecisos e passaram as últimas horas montando uma estratégia de guerra para derrubar os planos do governo.
Ontem à noite o quartel-general foi instalado na residência do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), numa reunião com representantes do PT, PDT, PPB, PL, PSB, dissidentes do PFL, e o Grupo Consciência Política, que inclui também deputados do PTB. O presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), reúne novamente os parlamentares anti-reeleição para um café da manhã em sua casa, hoje. A mobilização continua na Câmara dos Deputados, com outra reunião chamada pelo PT com todos os opositores.
Convidado a participar dos encontros e debates, o principal opositor do presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-prefeito Paulo Maluf preferiu ficar mais recolhido e adotar uma tática mais sutil nos últimos dias. O seu telefone, entretanto, não parou de funcionar e ele mantém constantes contatos com pepebistas e até deputados de outros partidos. Na lista de deputados assediados por Maluf está o paraibano Wilson Braga, do PDT, que tem boas relações com o ex-prefeito mas está com o voto favorável ao governo.
A oposição garante que ‘‘não jogou a toalha’’ e está convencida de que a margem de vantagem que o governo aposta ter é blefe. ‘‘O governo não tinha outra saída senão usar uma tática que impressionasse os indecisos e divulgar números otimistas’’, disse o líder do PT, deputado José Machado (SP). ‘‘Esta votação pode não acontecer esta semana’’, sugeriu a deputada Sandra Starling (PT-MG). Com colegas do PT, PC do B, PDT, Sandra e o deputado Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP) prometem para a tarde, quando a emenda entrar em discussão no plenário, uma ofensiva que vai ‘‘surpreender’’ governistas.

Paulo Maluf usa
telefone para
atrair deputados
de outros partidos


A estratégia da oposição - leia-se PPB e os partidos da esquerda clássica - está sendo organizada de tal forma que os destaques de plenário a que estes partidos têm direito (11 ao todo) serão distribuídos em comum acordo entre eles, para que o trabalho de obstrução seja mais eficiente. Deputados do PT vão sugerir que o partido, dono da emenda do referendo popular na comissão especial, dê preferência no plenário ao destaque do PPB que propõe plebiscito - forma de consulta popular menos desejada pelo governo.
O deputado Arnaldo Faria de Sá, responsável pelo maior número de derrotas do governo durante as votações da reforma da Previdência, prometia ontem surpreender mais uma vez os governistas. ‘‘Sabemos que não temos chances de ganhar sem o PMDB, mas precisamos de apenas 16 votos dos 102 peemedebistas para derrubar a emenda’’, ressaltou. Arnaldo garante que a oposição à reeleição de Fernando Henrique Cardoso tem 190 votos cravados (somando os votos das esquerdas com 60 do PPB, além dos votos do PL, dos dissidentes no PTB, PFL e o voto de Almino Affonso do PSDB). O governo precisa contar com 308 dos 513 deputados para conseguir aprovar a reeleição.
A bancada do PMDB de Goiás ainda era ontem uma incógnita para o governo. Ligados ao senador Íris Rezende (PMDB-GO), que não aceita que a emenda seja votada antes da eleição das Mesas da Câmara e Senado, os sete peemedebistas goianos pretendiam convencer Íris a liberar a bancada na votação de hoje. ‘‘Em Goiás é tudo ou nada’’, preocupava-se ontem o vice-líder do governo Sandro Mabel (PMDB-GO), que vota a favor da reeleição. ‘‘Se Íris bater o martelo, a bancada segue sua orientação.’’

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