Oposição articula nomes para a sucessão de Renan
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segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Gabriela Guerreiro<BR>Folhapress 
Brasília - Em meio à discussão sobre o futuro político do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), senadores da oposição já começaram a discutir nos bastidores a sucessão do presidente do Senado caso o peemedebista perca o mandato na quarta-feira. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), adiantou hoje que o partido não vai apoiar a candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado se Renan for cassado.
Durante encontro do PSDB, em Brasília, Virgílio disse que o partido se dispõe a discutir a indicação de um nome do PMDB para o lugar de Renan desde que o escolhido não seja Sarney. ''O PSDB não sabe o que quer, mas tem obrigação de saber o que não quer. Não dá para elegermos a omissão. Sarney foi o único brasileiro que não se manifestou sobre o caso Renan'', criticou.
Os tucanos são contrários ao nome de Sarney porque o senador é um dos principais interlocutores do PMDB junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A oposição apóia nos bastidores o nome do senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE), da ala independente do PMDB, que já se manifestou em diversas ocasiões contrário ao governo Lula.
Virgílio disse que o PSDB não descarta lançar candidato próprio à presidência do Senado, na eventual cassação de Renan, se não houver acordo com o PMDB na escolha do sucessor de Renan.
A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), acusou integrantes da oposição de defenderem a cassação de Renan por estarem vislumbrando a eventual presidência do Senado. ''É lamentável ver pessoas que poderão decidir seu voto não pelo que está nos autos ou nas provas do processo, mas decidir em benefício próprio porque, dependendo do resultado, poderia ou não ter perspectiva de sentar na cadeira de presidente'', afirmou a líder.
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) também vem acusando a oposição de querer dar o ''golpe'' para tomar a presidência do Senado. O senador avalia que o DEM e o PSDB vão trabalhar para eleger um nome dos partidos ao lugar de Renan caso o peemedebista perca o mandato.
Renan foi reeleito este ano à presidência do Senado com votos de 51 dos 81 senadores contra o senador José Agripino Maia (DEM-RN), que saiu derrotado da disputa. Pela tradição do Senado, o partido com o maior número de parlamentares na Casa indica o candidato à presidência.
A disputa entre o DEM e o PMDB ocorreu porque, logo após as eleições, os democratas tinham o maior número de parlamentares eleitos para o Senado. No dia da escolha do presidente da Casa, no entanto, o PMDB já reunia a maior bancada em consequência da troca de partidos registrada na Casa.
Atualmente, o PMDB tem a maior bancada no Senado, com 19 senadores, seguido pelo DEM, com 17 parlamentares, e o PSDB, com 13 senadores. O PT é a quarta bancada do Senado, com 12 parlamentares no total.


