Oposição articula CPI do Endividamento
Leandro Donatti
De Curitiba
A oposição ao governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia do Paraná articula a instalação de uma CPI para investigar as causas do crescimento do endividamento público do Paraná. As costuras são ainda incipientes, mas já contam com o apoio do senador Alvaro Dias (PSDB), apontado pelos deputados de oposição como peça-chave para a obtenção das 18 assinaturas necessárias para a criação de uma CPI contra o governo. A oposição alega que a dívida do Estado saltou de R$ 1,3 bilhão, em 94, para R$ 12 bilhões, em 99. O governo contesta os números, diz que deve menos, e que o agravamento das finanças se deu pelo não-pagamento de precatórios durante a gestão Alvaro Dias.
A bancada de oposição conta com 14 votos oficiais, incluindo o de Luiz Carlos Zuk (PDT), a última aquisição dos adversários de Lerner. Os outros quatro votos restantes, na avaliação dos articuladores da CPI, estariam no PSDB, que hoje detém uma bancada com oito deputados apenas José Maria Ferreira de oposição e o restante oscilante, ora lernerista ora alvarista. Estamos sentindo espaço para a instalação de uma CPI. Dessa vez, o momento é diferente, avaliou Orlando Pessuti, o líder do PSDB, numa referência às tentativas infrutíferas de instalação de outras CPIs pela oposição, em anos anteriores.
O deputado disse que até o dia 11, data marcada para o pronunciamento do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que explicará no plenário o endividamento do Paraná, as costuras pró-CPI serão discretas. Se a fala do secretário for tão desastrosa quanto à tentativa do líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), de nos contestar, aceleraremos os contatos, avisou. Pessuti adiantou que vai solicitar na audiência com Gionédis informações sobre as ações que o governo ainda detém na Copel, a companhia de energia que será privatizada no ano que vem. Precisamos saber ao certo quanto o Estado ainda possui de patrimônio, considerou Pessuti.
Se depender do senador Alvaro Dias, que há duas semanas fez ácido pronunciamento no Senado criticando as finanças do Paraná, a CPI do Endividamento sai até o final do ano. Alvaro disse que vai trabalhar na Assembléia para conseguir o número de assinaturas necessário. Apesar da bancada estadual ter total liberdade para agir, não colocamos nenhuma camisa-de-força nos deputados; essa questão me parece que está acima disso porque diz respeito ao futuro do Paraná, avaliou.
Pré-candidato assumido ao governo do Paraná, em 2002, o senador voltou a dizer ontem que as dívidas do Paraná cresceram de forma absurda na gestão de Lerner. Não tenho dúvidas de que haverá a colaboração dos deputados do PSDB, reforçou Alvaro, cuja influência sobre deputados governistas como Augustinho Zucchi e Neivo Beraldin é motivo de ânimo para a bancada da oposição.
Irônico, Alvaro afirmou ainda que o governo Lerner não vai arregimentar sua base governista para bloquear a CPI da oposição, como fez quando a oposição tentou apurar a cobrança do pedágio no Paraná. Uma CPI traz soluções para problemas. Não ficaria bem, o governador trabalhar contra, impedindo esclarecimentos e maior transparência quanto ao endividamento, disse.





