Oposição articula CPI das montadoras
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segunda-feira, 09 de junho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaInsatisfeitosQuintana: ex-chefe de gabinete de Requião aposta no descontentamento dos aliados de LernerFaltam apenas três assinaturas para as bancadas do PMDB e do PT na Assembléia Legislativa formalizarem o pedido para que seja instalada uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os contratos firmados até agora entre o governo do Estado e as montadoras de veículos. Os deputados de oposição ao governador Jaime Lerner (PDT) querem forçar o governo a revelar os termos das negociações feitas com a Renault, a Crysler e a Audi, mantidos sob sigilo.
Dos dez deputados do PMDB, apenas dois não aderiram ao documento: Durval Amaral e Cleiton Kielse. O comprometimento e o estreito relacionamento com o Palácio Iguaçu falou mais alto. A bancada do PT, integrada por cinco deputados, assinou em peso o projeto de resolução, que para ter efeito legal e ser suficiente na instalação da CPI precisa de no mínimo 18 assinaturas.
Dois tucanos completam os 15 votos garantidos pelo deputado Caíto Quintana, o articulador da CPI da Montadoras. O peemedebista não quer tornar público o nome dos dois apoios. Eles seriam pressionados e forçados a voltar atrás, justifica o deputado, que aposta no descontentamento dos aliados de Lerner para colocar em prática o plano da oposição.
O ninho tucano registra o maior número de dissidências e possíveis signatários da CPI. Pelo menos três deputados estariam na mira da oposição: Carlos Simões, José Maria Ferreira e Antonio Anibelli.
Simões foi o adversário do candidato de Lerner nas eleições municipais em Curitiba, no ano passado, o atual prefeito Cássio Taniguchi (PDT). Ferreira e Anibelli são fiéis escudeiros do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias. Ambos ajudaram no processo de obstrução à filiação do governador no PSDB.
Outro apoio inesperado pode ser do deputado Geraldo Cartário. Apesar de filiado no PTB - partido que integrou a aliança pró-Lerner em 94 - o parlamentar ainda não teria esquecido o apoio do governo aos seus adversários, o que resultou na derrota eleitoral do grupo político de seu filho em Fazenda Rio Grande, município da região metropolitana.
Para o líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PDT), a CPI das montadoras não passa de um balão de ensaio da oposição. O que está em jogo é uma posição administrativa do governo e não política, diz o líder. Rossoni defende a mesma tese do governador. Acha que os termos dos contratos só devem ser revelados se outros estados também abrirem seus protocolos. A industrialização do Paraná está alcançando os seus objetivos e isso está fazendo mal para os nossos adversários, provoca o deputado dizendo que tudo não passa de um blefe da oposição.


