Vereadores da oposição de Maringá começam a consolidar hoje o apoio para pedirem a cassação do prefeito licenciado, Jairo Gianoto (PSDB), que deverá ser apresentado na próxima terça-feira. O primeiro passo é a conquista de sete assinaturas para levar o requerimento ao plenário. Segundo a vereadora Bia Correa (PT), cinco já estão garantidas. Para que o requerimento seja aprovado em plenário são necessárias 11 assinaturas. O movimento dos vereadores engrossa as ‘‘ações políticas’’ que começam agora contra Gianotto, que está com os bens indisponíveis. O presidente do PSDB no Paraná, senador Alvaro Dias, declarou que ‘‘só um milagre’’ evita a expulsão de Gianoto do partido.
Bia disse ontem que junto com o vereador Aldi Cezar Mertz (PDT) vai buscar neste final de semana as assinaturas de Ulisses Maia (PPS) e Manoel Batista da Silva Junior (PTB). Os vereadores Arlene Lima (PMDB), Décio Sperandio (PDT) e Shinji Gohara (PHS) definiram apoio.
A oposição pretende anexar ao requerimento de cassação, cópias de cheques usados nos desvios e a ação civil pública por improbidade administrativa movida pelo MP contra o prefeito licenciado e o ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi, que está foragido. ‘‘Já conseguimos esta documentação. Só falta formalizar o requerimento com as assinaturas de apoio’’, disse Bia.
Bia acredita que conseguir as 11 assinaturas não será difícil se a oposição fizer um bom discurso na tribuna. A oposição afirma que não admite que Gianoto ‘‘saia pela porta da frente’’ depois das denúncias. Com a cassação, o prefeito licenciado acaba sofrendo as mesmas consequências da ação movida pelo MP, entre elas a perda dos direitos políticos.
As investigações do MP apontam o desvio de R$ 2,6 milhões de Paolicchi e outros R$ 549 mil de Gianoto. Uma auditoria na prefeitura revelou na última quarta-feira o desvio de outros R$ 4,2 milhões que teriam sido feitos por Paolicchi em dezembro de 1996. O ex-secretário é servidor desde aquela época. Membros da atual administração acreditam que o rombo pode chegar a R$ 40 milhões entre 1996 e 2000.
A direção estadual do PSDB pode discutir no próximo dia 17, em Curitiba, a expulsão de Gianoto. Segundo Alvaro Dias, a questão é tida como ‘‘inevitável’’. Alvaro (e o irmão Osmar, também senador tucano) participaram da campanha para reeleição de Gianoto, derrotado no primeiro turno. E se arrependeram. Alvaro afirma agora que o apoio foi um ‘‘dever de ofício’’.
O presidente do Conselho de Ética do PSDB, Wagner Pacheco, que é advogado de Paolicchi, acredita que o diretório não terá tempo para votar a expulsão de Gianoto. À Folha, ele disse que já se declarou impedido para avaliar o caso de Gianoto. ‘‘Também não irei votar e nem dar parecer’’, disse. Pacheco foi chefe da Casa Civil no governo de Alvaro Dias. Ele disse que Gianoto terá um prazo de 10 dias para defesa junto ao partido que será contado a partir da citação. De acordo com o secretário-geral do PSDB, Haroldo Ferreira, a ficha de filiação de Gianoto já foi suspensa.