Oposição arma ofensiva para criticar governo
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quarta-feira, 03 de abril de 2002
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A bancada de oposição ao governo na Assembléia Legislativa quer retomar o fôlego perdido depois de esgotada a campanha contra a privatização da Copel no ano passado. Reunido ontem pela manhã, o bloco decidiu afinar o discurso com o objetivo de desestabilizar o governo. Fazem parte da bancada 23 deputados, do PT, PDT, PMDB e PPS, além de parte do PL.
O grupo avalia que cada deputado está atirando para um lado, criticando o governo em pontos diferentes, o que dilui o impacto das críticas. A meta agora é concentrar os ataques nos convênios que o Palácio Iguaçu tem firmado com os prefeitos do Interior, e no acerto com o Banco Itaú, em torno dos precatórios. A bancada planeja retomar as reuniões semanais toda segunda-feira após a sessão plenária. Os deputados correm contra o tempo porque não querem surpresas desagradáveis nas urnas.
Pela nossa apatia ou indisciplina na Assembléia estamos permitindo que o governo respire, ganhe oxigênio, avaliou José Maria Ferreira (PDT).
O Palácio Iguaçu tem divulgado que vai liberar R$ 90 milhões para os municípios. A oposição está preocupada com o reflexo eleitoral dessa iniciativa.
A oposição estava meio perdida, desmobilizada. Precisamos nos organizar, senão o governo avança. Temos que dar corpo aos pronunciamentos, mostrar as fraquezas do governo, disse o líder do PMDB na Casa, Nereu Moura. Vamos unificar as ações políticas, completou Caíto Quintana (PMDB).
Para José Maria Ferreira, a oposição precisa costurar uma atuação intensa em relação à liberação de dinheiro para os municípios. Com o objetivo de evitar desvios, ele defende a criação de um comitê para acompanhar o repasse de recursos. Vamos acionar o Ministério Público para que também acompanhe isso. O pedetista afirmou que não quer que o dinheiro público acabe servindo como combustível para a campanha eleitoral.
O vice-líder governista, Ademar Traiano (PSDB), menosprezou a decisão da oposição. Acho que eles já esgotaram a munição, as reservas técnicas, afirmou. Eles falaram o ano passado inteiro que o governo estava quebrado, o que não é verdade, assinalou.


