Oposição aproveita escândalo para obter dividendos políticos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de novembro de 2001
Rodrigo Sais<br>De Curitiba 
A possibilidade da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a denúncia de caixa 2 na campanha do prefeito Cassio Taniguchi (PFL) à reeleição está sendo usada como trunfo político pela oposição na Câmara dos Vereadores de Curitiba. A vereadora Arlete Caramês (PPS) confirmou ontem que assinará o requerimento para a instalação da CPI caso os 11 vereadores do PT, PMDB e PDT confirmem suas assinaturas. São necessárias 12 assinaturas para instalar-se uma CPI na Câmara.
A estratégia da oposição é coletar as assinaturas necessárias, mas aguardar o momento oportuno para solicitar o início dos trabalhos. ''Precisamos do apoio da sociedade para pressionar os vereadores a realizarem uma investigação até as últimas consequências. Provavelmente, a CPI só será instalada no ano que vem'', comenta o líder da bancada do PT na Câmara, André Passos.
O líder do governo, Mário Celso Cunha (PSB), não demonstrou preocupação com a possibilidade da oposição coletar as 12 assinaturas necessárias à instalação da CPI. ''É um blefe da oposição. Os colegas Celso Torquato (PMDB) e Alexandre Khury (PMDB) já me garantiram que não assinam o requerimento'', afirmou.
A versão de Torquato sobre o assunto, entretanto, difere da apresentada por Mário Celso. Apesar de ressaltar que o Ministério Público tem mais competência para realizar as investigações, Torquato assegura que assina o requerimento caso o PMDB feche questão a respeito do assunto. ''Na minha opinião, não é o momento oportuno para instalarmos um CPI. Mas seguirei as determinações do partido caso a decisão seja pela abertura da investigação. Mas, por enquanto, nem discutimos essa possibilidade com a bancada'', explica Torquato.
A indefinição do PMDB sobre o assunto não agradou a vereadora Arlete Caramês. Eleita pelo PPB, partido que apóia Cassio Taniguchi, a vereadora filiou-se ao PPS mas pretende manter-se na base de sustentação do governo na Câmara. A instalação da CPI é o primeiro choque entre a ideologia de seu partido atual, que quer a investigação, e a base governista. ''Divulgaram que só faltava a minha assinatura para a instalação da CPI. Até agora, nenhum vereador de oposição assinou o requerimento. Só assinarei após os 11 vereadores da oposição também assinarem'', assegurou Arlete.


