Brasília - A saída de José Dirceu foi aplaudida pela oposição no Congresso, com variação no tom entre parlamentares, e vista pela oposição como uma oportunidade de reação às acusações que o governo sofre nas últimas semanas. Há quem veja risco de tensão devido às arestas acumuladas por Dirceu, e o embate com Roberto Jefferson já é aguardado com expectativa.
Na Câmara, a oposição quer quer mais cabeças. Líderes tucanos e pefelistas defenderam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promova uma reforma administrativa, com a saída de outros ministros e a extinção de pastas. ''Foi um bom começo, mas é preciso uma mudança expressiva no governo, que funciona muito mal. Diminuir ministérios e secretárias é o próximo passo'', afirmou o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP).
Entre os oposicionistas, chegou a circular ontem a idéia de dar a Dirceu uma recepção dura em sua volta à Câmara dos Deputados, abrindo contra ele um processo de cassação. Os oposicionistas foram unânimes em fazer um ataque preventivo ao que vêem como uma estratégia do governo para esvaziar a recém-instalada CPI dos Correios. ''Espero que não seja uma cortina de fumaça para abafar as investigações'', disse Goldman.
A base aliada ao Planalto, por outro lado, demonstrou entusiasmo com o reforço de peso para tentar melhorar o desempenho parlamentar de um governo que tem colecionado derrotas apesar de numericamente estar em vantagem. Não está descartada nem mesmo a possibilidade de Dirceu integrar a CPI. O PT já indicou seus membros, mas ele podem ser substituídos a qualquer momento.
O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), afirmou que o ministro José Dirceu (Casa Civil) volta para a Câmara dos Deputados com o objetivo de defender a sua honra e a do PT. Para a oposição na Casa, Roberto Jefferson conseguiu produzir sua primeira baixa no governo. Para o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), a saída do ministro foi inevitável. Embora defendesse a medida, Virgílio não comemorou. ''Sou tucano, não sou abutre''.

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