Curitiba - Os aliados do Governo do Estado na Assembléia Legislativa repetiram, ontem, a estratégia usada nas sessões de segunda-feira e terça-feira e esvaziaram o plenário no momento em que seriam colocados em votação os requerimentos apresentados pela oposição. A orientação foi dada pelo líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), que ontem admitiu que não pretende se arriscar nas votações. ''A bancada de apoio está instável'', declarou ele, em referência a governistas que, dependendo do requerimento, votam juntos com a oposição. Além da instabilidade, Romanelli conta com menos aliados em plenário desde o final da semana passada, quando quatro parlamentares viajaram ao Japão em missão política, acompanhados do governador do Estado, Roberto Requião (PMDB).
O presidente do Legislativo, Nelson Justus (DEM), ao ser questionado sobre o assunto, disse que a ''artimanha regimental para não votar requerimentos polêmicos é comum''. ''Acontece na Câmara de Vereadores, no Congresso Nacional. A prática está no 'livrinho' (Regimento Interno)'', afirmou Justus, alegando que não teria como evitar a estratégia. Já o deputado Ney Leprevost (PP), presidente da Comissão de Sa© úde da Casa, disse que não vai mais esperar o seu requerimento ser aprovado e informou que encaminhará hoje as questões relativas ao atraso na compra de medicamentos ao Ministério Público (MP) do Estado.
''Quero saber porque o Requião resolveu centralizar a compra, provocando a burocratização do processo e atraso na entrega dos medicamentos.'' Leprevost afirma que, antes, o processo de compra era de responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde e que, ''por razões não explicadas'', passou para as mãos do governador. Leprevost explica que informações extra-oficiais apontam indícios de irregularidades no processo de compra dos medicamentos quando sob responsabilidade da pasta da Saúde. Romanelli nega a existência de irregularidades e afirma que o Executivo só pretendia ''ajustar'' o processo de compra. No ofício que será entregue ao MP, Leprevost explica sobre as ''dificuldades em aprovar o pedido de informações (requerimento)'' no Legislativo e pede ao órgão que o informe ''se existe algum procedimento investigatório sobre o tema (medicamentos)'' em andamento.
Leprevost disse que, independente do pedido feito ao MP, vai tentar convocar o secretário estadual de Saúde, Cláudio Xavier, para comparecer à Comissão de Saúde. Outro assunto da convocação deverá ser a carga horária de 30 horas semanais cumprida pelos servidores da Saúde. O Executivo exige o cumprimento de 40 horas semanais e, por causa disso, já cortou parte dos salários (equivalente a dois dias de trabalho) dos servidores. Ontem, o líder da Oposição, Valdir Rossoni (PSDB), e o líder do Governo travaram um bate-boca sobre o assunto no plenário.
Rossoni disse que, se o Executivo atender as reivindicações do SindSaúde, vai ''caminhar de joelhos pelo plenário durante 30 sessões''. Romanelli respondeu que Rossoni ''deveria se ajoelhar mesmo, e pedir perdão por ter aprovado, em 2002, a lei que institui as 40 horas semanais''. Rossoni alegou que a lei passou a valer somente agora, porque o governador Requião foi quem a ''colocou em prática''.

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