Oposição ameaça 'melar' Orçamento
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sexta-feira, 25 de novembro de 2005
Chico de Gois e Fábio Zanini<br>Folhapress 
Brasília - A oposição no Senado resolveu entrar na rusga entre a Câmara dos Deputados e o Supremo Tribunal Federal (STF) e ontem anunciou que irá obstruir a aprovação do Orçamento enquanto não for votada em plenário a cassação do deputado José Dirceu (PT-SP). ''Dirceu está usando de todo o expediente para procrastinar uma decisão'', disse o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN). ''Ele está entupindo o duto que levará outros processos a julgamento.'' Para o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), se é ''legítimo'' a Câmara absolver ou não Dirceu, também é legítimo e regimental fazer obstrução. ''Nossa decisão não significa desrespeito ao STF nem intromissão em assuntos da Câmara'', disse.
O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), reagiu com indignação à proposta da oposição. ''O princípio do Estado de Direito, que está na Constituição Federal, dispõe que a acusação tem de ser apresentada primeiro, para depois a defesa contestar'', observou. ''Houve inversão do direito de defesa e isso prejudica o processo.'' Mercadante declarou que ''o Congresso tem de respeitar a decisão do STF e não pode tomar uma decisão para constranger o Supremo''.
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), tratou de serenar os ânimos. Tanto que recusou sugestão da bancada do PFL de interpelar o Supremo. ''Os Poderes são harmônicos e independentes. A cada momento você pode enfrentar tensões'', declarou. Aldo manteve a votação da cassação de Dirceu para o dia 30, enquanto aguarda uma posição final do STF.


