Curitiba - Os dois deputados estaduais de oposição indicados por suas respectivas legendas para integrar a CPI do Grampo - Plauto Miró Guimarães (PFL) e Luiz Carlos Martins (PDT) - podem sair das investigações. E antes mesmo da instalação oficial da CPI, prevista para a próxima segunda-feira, às 14 horas. A debandada foi sugerida ontem pelo líder da oposição, deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB). ''Estamos pedindo para eles se retirarem da marmelada. Não podemos avalizar a pizza que está sendo preparada'', afirmou o tucano.
Os sete nomes que integram a CPI do Grampo foram indicados pelos líderes das legendas na última segunda-feira. Dos sete, somente Plauto Miró Guimarães e Luiz Carlos Martins representam a oposição.
A proposta inicial da CPI era investigar apenas o caso levantado em setembro pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público (MP). Na primeira ação da PIC, cujo objetivo era desarticular uma suposta quadrilha de grampos telefônicos clandestinos, o policial civil Délcio Rasera, que estava cedido ao Palácio Iguaçu, foi preso. Outro integrante do Executivo, João Formighieri, que está à frente da Imprensa Oficial, também foi denunciado pelo MP porque teria pedido um serviço de grampo a Rasera. O governador reeleito, Roberto Requião (PMDB), nega relações com o policial civil.
A oposição apresentou um requerimento em meados de setembro solicitando a criação de uma CPI para investigar uma suposta ligação do governo com o caso dos grampos. Os governistas contra-atacaram com outro requerimento solicitando uma CPI para investigar também as duas gestões anteriores, do ex-governador Jaime Lerner. Em 2001 os parlamentares também tentaram investigar casos de escutas ilegais no Palácio Iguaçu, mas os trabalhos não foram concluídos em função de uma determinação do Tribunal de Justiça (TJ). O presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), resolveu juntar os requerimentos e criar uma única CPI. A oposição acusa Brandão de fazer uma manobra para tirar a atenção do caso Rasera.
Os governistas reclamam que a oposição pretendia criar uma CPI para prejudicar o governador, que em meados de setembro estava em plena campanha eleitoral. ''A CPI de 2001 já foi cancelada pelo TJ. Agora era para investigar o caso Rasera'', argumentou o deputado estadual Augustinho Zucchi (PDT). O pefelista Plauto Miró Guimarães disse que ele e Luiz Carlos Martins (PDT) se reunirão com Valdir Rossoni na segunda-feira para discutir o assunto. ''Em 15 dias (tempo que falta para o fim das sessões plenárias) não vai dar para investigar 12 anos. O único fato concreto era o Rasera. Mas ainda vamos discutir alternativas'', disse ele.
Para o deputado estadual Nereu Moura (PMDB), a oposição ''nunca teve intenção de investigar''. ''Eles só queriam usar politicamente o caso Rasera. A oposição agora quer boicotar porque já passaram as eleições'', afirmou o peemedebista. O deputado estadual Antônio Anibelli (PMDB) também criticou a atitude da oposição. ''Agora eles só vão querer participar de CPI quando forem maioria?''
O deputado estadual Jocelito Canto (PTB), convidado pelos governistas para ser o relator da CPI, disse que é ''muito cedo para dizer que é uma CPI laranja''.

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