Brasília - Parlamentares da oposição ameaçam abandonar a CPI mista (com deputados e senadores) dos Cartões Corporativos se integrantes da base aliada do governo insistirem em blindar a Presidência da República nas investigações. A oposição está irritada com o comportamento dos governistas que, além de terem conseguido evitar a convocação imediata de ministros acusados de irregualidades no uso dos cartões corporativos, também estariam trabalhando para evitar a quebra do sigilo dos cartões da presidência.
''Acho que a oposição deve decidir nesta semana se fica na CPI. A estratégia do governo é escamotear as investigações. Temos que analisar se vamos nos afastar. Não podemos mais acreditar em papai noel, os governistas vão adotar todo o tipo de manobra protelatória'', disse o vice-líder do PSDB no Senado, A Álvaro Dias (PR).
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) reconheceu que a folgada maioria de governistas na CPI poderá trazer prejuízos às investigações. Assim como Dias, o democrata não descarta deixar a comissão caso a oposição não avance na apuração das irregularidades.
''É uma pizza requentadíssima. O governo quer esvaziar completamente a CPI, tem maioria sólida de pessoas que estão na comissão mais para fazer barulho do que para investigar'', disse Demóstenes.
Dias criticou o cronograma apresentado pelo relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que prevê as investigações sobre as recentes irregularidades no uso dos cartões corporativos somente na segunda etapa de trabalhos. ''Isso é uma estratégia protelatória. A estratégia é escamotear as investigações.''
Vice-líder do PMDB no Senado e integrante da CPI, Almeida Lima (SE), negou que o governo esteja manobrando para privilegiar integrantes e ex-integrantes nas investigações. Mas, segundo ele, a reação da oposição em ameaçar o abandono da comissão é um ''direito legítimo''. Para o peemedebista, é perfeitamente aceitável também que a base aliada que apóia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva siga as recomendações do Palácio do Planalto.

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