Brasília - Depois de nove horas de discussão, o governo aprovou ontem em primeiro turno, por 55 a 25 - seis a mais que o necessário -, o texto principal da reforma da Previdência no Senado. A oposição foi fundamental para a aprovação do projeto, com 13 votos favoráveis. A reforma da Previdência atinge principalmente os servidores públicos, elevando a idade mínima para aposentadoria, criando a contribuição de inativos e pensionistas, estabelecendo redutor de benefícios para aposentadorias precoces e definindo teto e subteto salarial no funcionalismo.
O placar obtido na votação no Senado estava dentro da previsão do governo, que na hipótese mais conservadora contava com 55 votos e, na mais otimista, 59. No PT, a única defecção foi da senadora Heloísa Helena (PT-AL), o que deve consolidar seu processo de expulsão do partido. ''Vejo hoje muito delinquente político sendo acariciado. Sempre defendi o que estou defendendo hoje, ou como líder do PT, ou como líder da oposição no governo Fernando Henrique Cardoso. Ontem, eu era aplaudida. Hoje estou sendo ameaçada de expulsão'', afirmou a senadora.
Contrariados, os senadores Paulo Paim (PT-RS) e Flávio Arns (PT-PR) acompanharam o governo. A senadora Serys Slhessarenko (PT-SC) chegou a chorar durante seu discurso na tribuna, mas também votou a favor da reforma. Como já era esperado, três senadores do PMDB votaram contra a reforma: Mão Santa (PI), Sérgio Cabral Filho (RJ) e Papaléo Paes (AP).
A maior parte dos requerimentos ficou para ser votada hoje. Se forem aprovados, os requerimentos permitirão propor mudanças ao projeto que veio da Câmara dos Deputados. As chances de alteração são mínimas.
As divergências com o PMDB chegaram a adiar por um dia o início da votação da reforma, previsto para terça-feira. Por trás da insatisfação do partido está, principalmente, a pressão para acelerar a reforma ministerial, em que o governo pretende contemplar o PMDB com duas pastas.
Em meio à discussão da proposta, o governo ainda negociava com o PMDB detalhes da chamada ''PEC paralela'' - uma proposta alternativa com mudanças no texto principal - para garantir o apoio do partido na votação.
O líder peemedebista no Senado, Renan Calheiros (AL), queria garantias do governo de que a proposta alternativa seria votada rapidamente em convocação extraordinária do Congresso. O PSDB e o PFL têm dúvidas quanto à disposição do governo de levar a emenda paralela adiante.
Uma das principais polêmicas na reforma é quanto à fixação de limites salariais, os subtetos, para o funcionalismo público nos Estados. O objetivo é resolver o problema de caixa dos governadores, que ficam reféns de supersalários e aposenatadorias.
A Câmara fixou três subtetos, um para cada Poder. O salário máximo dos servidores do Executivo seria equivalente ao do governador, o do Legislativo ao dos deputados estaduais e o do Judiciário ao de desembargador.

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