Depois de perder a bandeira do salário mínimo para os governistas, a oposição tenta recuperar espaço político. Os partidos de oposição fecharam questão no mínimo de R$ 220,00 e ameaçam impedir a votação do Orçamento da União de 2002, se o governo não aceitar a nova proposta. Mais dois pontos estão na pauta da oposição: a renegociação da dívida dos pequenos e médios agricultores e o reajuste salarial dos servidores públicos.

No final da tarde de ontem, líderes da oposição se reuniram com os líderes do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), e no Congresso, Heráclito Fortes (PFL-PI), para negociar as propostas. Segundo Madeira, uma medida provisória para renegociação das dívidas agrícolas está sendo preparada pelo governo. A oposição quer ver o texto da MP.

Em relação ao salário mínimo, os líderes do governo disseram que a oposição precisa identificar as fontes de financiamento do aumento. O projeto do governo prevê um aumento de 5% dos atuais R$ 180,00 para R$ 189,00.

Na última terça-feira, os líderes governistas na Câmara decidiram abrir mão de parte do dinheiro das emendas coletivas de bancadas e de comissões técnicas para elevar o salário mínimo para R$ 200,00 o equivalente a um reajuste de 11,11% em relação aos R$ 180,00 atuais. Esse índice será contemplado no parecer do relator do Orçamento, deputado Sampaio Dória (PSDB-SP). O corte será de R$ 1,557 bilhão.

Inicialmente, a oposição considerou o valor pequeno, mas demonstrou disposição de aceitar os R$ 200,00. Depois de perceber que o ganho político com o aumento do mínimo ficou com os governistas, os partidos de oposição reagiram e reafirmaram a proposta de R$ 220. ''Sem isso não tem Orçamento'', afirmou o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA).

O governo tem maioria para aprovar o Orçamento, mas precisa articular a redução de prazos regimentais com a oposição para garantir a votação até o final da próxima semana. O relatório final do Orçamento deverá ser publicado na segunda-feira. A votação na Comissão Mista de Orçamento está prevista para quarta e, no plenário, quinta. Se não for cumprido esse calendário, a votação ficará para o próximo ano.

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