Os governadores de oposição pretendem unificar o discurso para a reunião que o presidente Fernando Henrique terá com todos os 27 governadores no dia 26, na Granja do Torto. A intenção é forçar o presidente a discutir questões de interesse dos Estados dentro de uma pauta mínima de assuntos. Entre os pontos considerados consensuais entre os governadores de esquerda estão a renegociação da dívida, o fim das retaliações aos Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul e uma solução para as perdas geradas pela Lei Kandir.
Os governadores do bloco de oposição chegaram a anunciar uma reunião no dia 25 - véspera do encontro com Fernando Henrique - com o objetivo de chegar a uma posição afinada em relação às propostas que levarão para a Granja do Torto. Mas para evitar o afastamento do governador mineiro Itamar Franco (PMDB-MG), que não virá a Brasília, a reunião das oposições acabou sendo cancelada. ‘‘Não vai ter reunião sem Itamar’’, disse o governador do Acre, Jorge Viana (PT). ‘‘Afinal, como fazer uma reunião do grupo de oposição sem o governador mineiro?’, completou o petista.
Ontem, até o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), já mudava o tom sobre a reunião, referindo-se apenas a um ‘‘bate-papo informal para troca de idéias’’. Segundo Garotinho, os oposicionistas vão levar a FHC proposta para que a União abata da dívida dos Estados as perdas com a Lei Kandir e com os Fundos para Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef) e de Estabilização Fiscal (FEF).
A idéia de chegar na Granja do Torto com discurso único surgiu durante o Carnaval. Ela partiu do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que passou o feriadão pescando no Mato Grosso do Sul acompanhado pelo governador Zeca do PT. Lula teme que a presença do grupo de esquerda na reunião com todos governadores sirva apenas para que o presidente Fernando Henrique apareça nos jornais do dia seguinte ao lado dos seus opositores demonstrando o impasse entre eles estivesse superado.
‘‘Não dá para o grupo de oposição ficar fazendo figuração junto do presidente’’, disse Lula para o governador Zeca do PT. ‘‘Caso contrário, no outro dia, os governadores estarão em todos os jornais em fotos ao redor de uma mesa farta de frutas tropicais com a legenda: opositores fazem as pazes com FHC’’, completou Lula. Esse argumento, aliás, também é a principal preocupação do governador gaúcho Olívio Dutra (PT). Por isso a agenda mínima deverá ser levada na reunião do dia 26, tendo ou não o encontro preparatório do grupo de oposição.
A renegociação da dívida dos Estados será a principal questão levada na reunião pelos governadores de esquerda. ‘‘É bom lembrar que o novo acordo com o Fundo Monetário Internacional irá afetar a vida dos Estados’’, disse o governador Jorge Viana. ‘‘Também é preciso ficar claro que se o governo federal está encontrando dificuldades em suceder ele mesmo, imagine nós que estamos assumindo uma administração que era comandada por nossos opositores’’, avaliou Viana, ressaltando que o grupo de governadores de esquerda pedirá o fim das sanções impostas aos Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
O governador Zeca do PT (MS) também irá colocar na pauta de debates uma solução para a perda com a criação da Lei Kandir. ‘‘Em dois anos o Mato Grosso do Sul perdeu R$ 147 milhões em isenções de ICMS’’, observou o secretário de Fazenda do Estado, Paulo Bernardo, que esteve ontem em Brasília com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente. ‘‘Ele se mostrou sensível com o problema, mas acha que o governo não terá condições de ressarcir ainda mais os Estados’’, disse Bernardo, depois de falar com Parente.
O Mato Grosso do Sul também pedirá uma forma de compensação do DNER, já que durante oito anos o Estado recuperou rodovias federais, totalizando um gasto de R$ 500 milhões.

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