A temperatura política subiu ontem de manhã em Arapongas. Durante tumultuada sessão que durou quase três horas, os vereadores decidiram, por oito votos contra seis, afastar o presidente da Câmara, Valdecir Oliveira (PL), e seu vice, Marcelo Francisco Plastina (PSDB). Por enquanto, responde como presidente João Farias (PDSDB), o mais idoso entre os vereadores. Na sessão da próxima segunda-feira, Farias deve definir a data para a eleição da nova mesa diretora. Mas o presidente e seu vice devem impetrar mandado de segurança até sexta-feira e poderão recuperar seus cargos.
As acusações que provocaram o afastamento de Valdecir e Marcelo são atraso na publicação da resolução do projeto que altera disposições do regimento interno, declarações àimprensa criticando vereadores de oposição e demora no envio de projetos ao prefeito. Questionado pela Folha se essas acusações eram suficientes para provocar o afastamento do presidente e seu vice, o vereador Jair Milani (PPB), que integra a bancada da oposição, argumentou que ‘‘o presidente não poderia chamar os vereadores de desonestos. Isso caracteriza falta de decoro’’.
A crítica foi feita porque alguns vereadores que deram parecer favorável à doação de terreno à Cohapar para construção de casas populares, acabaram votando contra essa matéria em plenário. Indignado com a recusa da doação do terreno, o presidente da Câmara divulgou o nome dos oito vereadores que votaram contra o projeto das casas populares. Para Milani, a oposição votou contra por discordar do valor das mensalidades das casas, que deverão chegar a R$ 130. ‘‘A população não terá como pagar esse valor’’, justificou.
O médico e vereador Valdecir Oliveira não quis falar sobre seu afastamento. Seu advogado, Vanderlei Carlos Sartori, disse que irá questionar, em primeiro lugar, a mudança do regimento interno que alterou de dois terços para maioria absoluta o quórum necessário para afastamento do presidente.
‘‘Em todas as câmaras consultadas são necessários dois terços para afastamento do presidente, mas em Arapongas a maioria da oposição mudou o regimento. Juridicamente deveremos questionar’’, ponderou.
Sobre o atraso na publicação de resolução, ele alega que o prazo entre a redação e a publicação foi de apenas cinco dias úteis. Quanto a quebra de falta decoro, o advogado argumenta que o motivo é inexistente e nem é causa de destituição prevista no regimento.‘‘O vereador tem imunidade sobre suas opiniões’’. Sartori acredita que a Justiça terá elementos suficientes para corrigir a decisão da Câmara.
Doze entidades de Arapongas, representando desde sindicatos de trabalhadores, Associação Comercial, Lions Club, Rotary, maçonaria, Sindicato da Indústria Moveleira, entre outros órgãos, divulgaram um manifesto de apoio ao presidente da Câmara de Vereadores. ‘‘Ética e lisura são características comprovadas da pessoa do doutor Valdecir’’, diz o documento.
O mais revoltado com o afastamento de seu aliado era o prefeito José Aparecido Bisca (PFL). ‘‘Não existe nenhum procedimento legal para promover o afastamento do presidente e do vice da Câmara. Como estamos em um ano eleitoral e a oposição tem a maioria, eles acham que podem mudar regimento e fazer o que quiser. Confio em Deus e na Justiça e o Valdecir deverá reassumir nos próximos dias’’, prevê.

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