Oposição admite que não estava preparada para crise
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sábado, 26 de maio de 2001
Agência Estado De Brasília 
Mesmo depois de todo o desgaste sofrido, a oposição na Bahia terá muita dificuldade para superar o poder político de ACM. Uma ampla pesquisa encomendada pelo PFL ao Instituto Vox Populi, em abril quando o escândalo da violação do painel já havia sido divulgado aponta um favoritismo absoluto de Antonio Carlos. Foram feitas mil entrevistas.
Numa eleição para governador, ACM teria 75% dos votos, contra 5% do deputado petista Jacques Wagner e 2% do deputado Benito Gama (PMDB). Para o Senado, a sua situação também é privilegiada. Ele é a primeira opção de 58% dos eleitores e a segunda opção de 11%, o que lhe garante uma soma de 69% dos votos. Para os entrevistados, a principal qualidade de ACM é a de ser um defensor da Bahia e seu maior defeito é ser um político autoritário e ditador.
Pela primeira vez, em 15 anos, Antonio Carlos perdeu o controle do noticiário nacional e de parte da mídia local, analisa o líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Magalhães (BA). O impacto disto está sendo devastador, principalmente na juventude.
Apesar disso, Jutahy reconhece que não será nada fácil enfrentar ACM. As oposições não estavam preparadas para esta nova realidade em 2002, admite. Foi um derrocada que ninguém imaginava e que não estava nos nossos planos; agora é preciso tirar o atraso.
As oposições devem se dividir em dois grupos: o primeiro será uma aliança entre o PMDB e o PSDB e o segundo grupo será organizado em torno do PT. Na aliança entre peemedebistas e tucanos, a chapa majoritária deverá ser organizada em torno dos nomes dos peemedebistas Benito Gama e Geddel Vieira Lima, líder do partido na Câmara dos Deputados e do tucano Roberto Santos, ex-governador da Bahia. Já do lado petista, o deputado Jacques Wagner deverá sair ao governo e o deputado Waldir Pires (PT-BA) poderá sair ao Senado.
Os oposicionistas baianos apostam todas as fichas no enfraquecimento do grupo carlista. Historicamente, as eleições na Bahia sempre foram disputadas. Em 1990, Antonio Carlos ganhou o governo do Estado contra Roberto Santos por apenas 27 mil votos. Na eleição seguinte, em 1994, Paulo Souto foi para o segundo turno com João Durval. Só em 1998, com uma grande coligação de forças é que o grupo de ACM elegeu César Borges no primeiro tucano com quase 70% dos votos.
Na ocasião, a chapa que havia sido articulada para a eleição do então deputado Luís Eduardo Magalhães, contava com uma convergência única na política baiana. A chapa era apoiada no plano federal pelo presidente Fernando Henrique e contava com o apoio do PMDB, PSDB e PPB. Além disso, ainda existia a estrutura nacional de dois ministérios (Minas e Energia e Previdência), da Eletrobras e do INSS, além do governo baiano e da prefeitura de Salvador.
De tudo isto, ACM só contará no próximo ano com a estrutura estadual e dos municípios aliados. Os quatro meses de intenso tiroteio contra ACM deram um novo gás a oposição na Bahia, observa o deputado Benito Gama (PMDB-BA), que até o ano passado era um dos principais políticos do grupo carlista.


