Oposição admite dificuldade para cassar mandato de Pitta
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quarta-feira, 05 de julho de 2000
Marcus Lopes Agência Estado De São Paulo 
A oposição na Câmara de São Paulo admite a derrota na votação do processo de impeachment do prefeito Celso Pitta (PTN). Até ontem, os oposicionistas contavam com apenas 25 votos a favor da cassação do mandato. Para que Pitta seja cassado, são necessários pelo menos 37 votos, em votação secreta.
O prefeito está sendo processado pela Câmara com base na denúncia apresentada pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na denúncia, que provocou a abertura da Comissão Processante (CP), Pitta é acusado de irregularidades como loteamento das Administrações Regionais (ARs), suposto empréstimo de R$ 800 mil feito pelo empresário Jorge Yunes e a viagem que fez à França acompanhado da ex-primeira-dama Nicéa Pitta, durante a Copa do Mundo de 1998.
Segundo a oposição, apenas a votação aberta pode reverter o quadro favorável ao prefeito. Se a votação for secreta, está tudo liquidado, admite o líder do PT na Câmara, José Eduardo Martins Cardozo. A esquerda aguarda uma posição da Justiça referente ao mandado de segurança interposto para garantir o voto aberto. A votação será na quarta-feira, a partir das 8 horas. A votação aberta é nossa última cartada, disse o vereador Dalton Silvano (PSDB). Se o voto for fechado, Pitta continuará no poder até o fim do ano, completou o tucano.
Não há nenhum fato discutido que não seja matéria requentada, disse o vereador Miguel Colasuonno (PMDB). Nessa lógica, o prefeito deve sair vitorioso, completou o peemedebista. Na avaliação de um aliado do prefeito na Câmara, os vereadores estão mais preocupados em partir para as campanhas eleitorais do que com a cassação do prefeito. Esse processo acabou tornando-se um estorvo que deve ser liquidado o quanto antes, afirmou.
O processo de votação está praticamente definido. Segundo o presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), os vereadores devem dirigir-se à cabine apenas uma vez, para votar as 11 denúncias do processo. Cada parlamentar receberá 11 envelopes coloridos um para cada denúncia que serão depositados em 11 urnas, também coloridas. Devemos economizar pelo menos umas cinco horas no processo de votação, justificou Mellão. Pelo sistema tradicional, os vereadores seriam chamados várias vezes à cabine, pois cada denúncia seria votada separadamente.


