A oposição na Câmara de São Paulo admite a derrota na votação do processo de impeachment do prefeito Celso Pitta (PTN). Até ontem, os oposicionistas contavam com apenas 25 votos a favor da cassação do mandato. Para que Pitta seja cassado, são necessários pelo menos 37 votos, em votação secreta.
O prefeito está sendo processado pela Câmara com base na denúncia apresentada pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na denúncia, que provocou a abertura da Comissão Processante (CP), Pitta é acusado de irregularidades como loteamento das Administrações Regionais (ARs), suposto empréstimo de R$ 800 mil feito pelo empresário Jorge Yunes e a viagem que fez à França acompanhado da ex-primeira-dama Nicéa Pitta, durante a Copa do Mundo de 1998.
Segundo a oposição, apenas a votação aberta pode reverter o quadro favorável ao prefeito. ‘‘Se a votação for secreta, está tudo liquidado’’, admite o líder do PT na Câmara, José Eduardo Martins Cardozo. A esquerda aguarda uma posição da Justiça referente ao mandado de segurança interposto para garantir o voto aberto. A votação será na quarta-feira, a partir das 8 horas. ‘‘A votação aberta é nossa última cartada’’, disse o vereador Dalton Silvano (PSDB). ‘‘Se o voto for fechado, Pitta continuará no poder até o fim do ano’’, completou o tucano.
‘‘Não há nenhum fato discutido que não seja matéria requentada’’, disse o vereador Miguel Colasuonno (PMDB). ‘‘Nessa lógica, o prefeito deve sair vitorioso’’, completou o peemedebista. Na avaliação de um aliado do prefeito na Câmara, os vereadores estão mais preocupados em partir para as campanhas eleitorais do que com a cassação do prefeito. ‘‘Esse processo acabou tornando-se um estorvo que deve ser liquidado o quanto antes’’, afirmou.
O processo de votação está praticamente definido. Segundo o presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), os vereadores devem dirigir-se à cabine apenas uma vez, para votar as 11 denúncias do processo. Cada parlamentar receberá 11 envelopes coloridos – um para cada denúncia – que serão depositados em 11 urnas, também coloridas. ‘‘Devemos economizar pelo menos umas cinco horas no processo de votação’’, justificou Mellão. Pelo sistema tradicional, os vereadores seriam chamados várias vezes à cabine, pois cada denúncia seria votada separadamente.

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