Oposição adia CPI para investigar Cassio
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sábado, 10 de novembro de 2001
Rodrigo Sais<br>De Curitiba 
Os partidos de oposição ao prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), decidiram abandonar a idéia de instalar na próxima semana uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de irregularidades na prestação de contas da campanha do PFL à reeleição no ano passado. Segundo o líder da bancada de oposição da Câmara dos Vereadores, Paulo Salamuni (PMDB), o momento não é propício para a instalação da CPI.
''Antes da investigação, precisamos ter o apoio da sociedade civil. Se insistirmos em uma CPI agora, ela será abafada pelos vereadores governistas, que têm direito a escolher o presidente e o vice da CPI. Mas com a pressão da opinião pública, creio que muitos vereadores mudarão de posição e vão pedir uma investigação profunda'', afirmou Salamuni.
A bancada de oposição prefere esperar até o começo dos trabalhos legislativos do ano que vem para tentar instalar a CPI. Para evitar que o assunto caia no esquecimento durante o recesso parlamentar, a criação do movimento ''Limpa Curitiba'' foi anunciado pelos vereadores do PT, PDT e PMDB. ''A sociedade não pode tolerar mais o uso desse império econômico que está no poder. O movimento pretende unir os esforços para limpar a imagem de Curitiba'', resume Salamuni.
Com o adiamento do pedido da CPI, a estratégia da oposição até o momento tem sido atacar por todas as frentes judiciais possíveis. O PT solicitou ontem ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) um pedido de embargo da declaração de sentença do juiz Espedito Reis de Moraes, que considerou legítima a prestação de contas do comitê do PFL. O juiz não levou em conta na sua decisão as denúncias veiculadas no jornal ''Folha de S.Paulo'' na última terça-feira, que acusam o PFL de ter omitido R$ 29,8 milhões na prestação de contas ao TRE.
Além do pedido de embargo, o PT solicitou ao TRE a reabertura de uma investigação judicial de outubro do ano passado, que acusa Cassio de ter cometido abuso do poder econômico durante a campanha. O processo, que também é analisado pelo juiz Espedito de Moraes, foi remetido ao procurador Valclir Natalino, do Ministério Público (MP) estadual.
A denúncia da possível existência de um caixa 2 na campanha de Cassio chegou também à esfera federal. O senador Roberto Requião (PMDB) e o deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Dr. Rosinha, solicitaram anteontem ao Ministério Público Federal que investigasse o caso.
O PMDB também pediu à Receita Federal que fiscalizasse a movimentação do caixa do PFL. ''Como essa movimentação não foi declarada ao TRE, existe a possibilidade de que esses recursos não tenham sidos declarados à Receita, o que caracteriza sonegação fiscal'', afirmou Requião.


