Curitiba - O líder da Oposição, Valdir Rossoni (PSDB), afirmou ontem no plenário da Assembléia Legislativa que a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), contratou empresas sem licitação para a realização de obras emergenciais de saneamento no Litoral. Uma das empresas contratadas sem licitação, Schwanka & Schwanka Ltda., seria de propriedade do pai da engenheira Cristiane Schwanka, e que é vinculada ao Projeto de Saneamento Ambiental do Paraná (Paranasan). Rossoni não citou o nome das outras empresas. A reportagem tentou localizar, ontem à noite, o proprietário da empresa Schwanka & Schwanka Ltda., sem sucesso.
A denúncia do líder da oposição ocorreu durante a visita do presidente da Sanepar, Stênio Jacob, e do presidente do Conselho Administrativo da Sanepar, Pedro Henrique Xavier, à Casa. Um requerimento da oposição foi aprovado para que ambos comparecessem ao plenário para esclarecer supostos indícios de irregularidades no contrato firmado, em 2002, entre a empresa Pavibras e a Sanepar para a implantação ou ampliação do sistema de esgoto em cinco municípios do Litoral. Ao ser chamado para falar do assunto, Jacob preferiu convocar a engenheira Cristiane Schwanka, para ''dar mais detalhes'' sobre o contrato. A oposição na Casa protestou, alegando que no requerimento aprovado estaria claro o convite feito especificamente a Jacob.
O presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), não aceitou o argumento e passou a palavra para a engenheira. Depois os parlamentares da oposição e da base do governo puderam fazer perguntas aos convidados. Rossoni primeiro questionou Jacob sobre a apólice de seguro contra riscos de engenharia feita pela Sulina Seguradora S/A à Pavibras e à Sanepar. A autenticidade da apólice teria sido questionada pela Sanepar quatro meses depois que recebeu o documento. A seguradora afirma que a falsificação teria sido feita pelo corretor da apólice, que responde a uma ação criminal pelo ato a pedido da própria empresa. Rossoni afirmou que a Sanepar é quem deveria ter entrado com uma ação criminal contra o corretor e também contra a seguradora. Ele criticou ainda o fato da Sanepar ter demorado para perceber que se tratava de uma apólice falsa.
Rossoni afirmou que a escolha da Sulina Seguradora foi feita pela Sanepar e que as outras duas empresas que participaram da Tomada de Preços (modalidade de processo licitatório) eram ''fantasmas''. ''E tem mais empresas fantasmas na Sanepar'', acusou ele. O tucano leu ainda no plenário uma relação de supostas seguradoras fantasma que teriam participado de contratos com a Sanepar. Jacob disse que não acompanhou o processo de escolha da Sulina Seguradora, mas que acreditava ter sido uma indicação da Pavibras. Sobre as denúncias referentes à empresa Schwanka & Schwanka Ltda., Jacob negou as irregularidades, mas não entrou em detalhes. O presidente da Casa disse que, na condição de convidado, Jabob não precisaria debater as questões levantadas por Rossoni.

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