Oposição acusa relações promíscuas no leilão das teles
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sexta-feira, 20 de novembro de 1998
Daniel Bramatti Agência Folha 
Líderes dos partidos de oposição disseram ontem que o depoimento do ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações) aumentou as suspeitas de que houve relações promíscuas entre autoridades do governo e investidores privados no leilão da Telebrás. Os oposicionistas também rejeitaram a proposta de renúncia do ministro, feita pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), como forma de acabar com a crise gerada pela divulgação de fitas gravadas que sugerem que o governo violou a imparcialidade no leilão.
Houve promiscuidade entre governo e investidores. O ministro declarou que, quando encontrava uma empresa interessada (em participar do leilão) no exterior, indicava um banco a ela. Ou seja, o ministro virou um agenciador, disse o deputado José Genoino (PT-SP). Para o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), Mendonça de Barros avalizou os trechos de gravações divulgadas pela imprensa ao não desmenti-los. As frases divulgadas até agora indicam uma ação do ministro no sentido de garantir a vitória de um dos consórcios (o do banco Opportunity), e não apenas de assegurar a participação dele no leilão, afirmou Dutra.
Ele disse ainda que Mendonça de Barros não esclareceu a quem se referia quando afirmou que o dia do leilão foi marcado por traições. Para o senador, o fato de o Opportunity ter perdido a disputa não elimina as suspeitas de irregularidades, ao contrário do que argumentam alguns governistas. Se um juiz de futebol é ladrão e ainda assim o time que ele favorece perde, isso não quer dizer que o jogo seja limpo, comparou. Dutra disse ainda que a eventual renúncia do ministro é secundária diante da necessidade de investigar as privatizações. Se a proposta de renúncia for para abafar o caso, sou contra.
O líder do PT no Senado, Eduardo Suplicy (SP), disse que, antes de deixar o cargo, Mendonça de Barros precisa esclarecer os fatos. Ele anunciou que vai apresentar um requerimento para convocar o presidente do BNDES, André Lara Resende, a depor no Senado. Para Suplicy, o depoimento de ontem não acabou com as suspeitas de que o governo manipulou a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) para favorecer o banco Opportunity.


