Líderes dos partidos de oposição disseram ontem que o depoimento do ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações) aumentou as suspeitas de que houve ‘‘relações promíscuas’’ entre autoridades do governo e investidores privados no leilão da Telebrás. Os oposicionistas também rejeitaram a proposta de renúncia do ministro, feita pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), como forma de acabar com a crise gerada pela divulgação de fitas gravadas que sugerem que o governo violou a imparcialidade no leilão.
‘‘Houve promiscuidade entre governo e investidores. O ministro declarou que, quando encontrava uma empresa interessada (em participar do leilão) no exterior, indicava um banco a ela. Ou seja, o ministro virou um agenciador’’, disse o deputado José Genoino (PT-SP). Para o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), Mendonça de Barros avalizou os trechos de gravações divulgadas pela imprensa ao não desmenti-los. ‘‘As frases divulgadas até agora indicam uma ação do ministro no sentido de garantir a vitória de um dos consórcios (o do banco Opportunity), e não apenas de assegurar a participação dele no leilão’’, afirmou Dutra.
Ele disse ainda que Mendonça de Barros não esclareceu a quem se referia quando afirmou que o dia do leilão foi marcado por ‘‘traições’’. Para o senador, o fato de o Opportunity ter perdido a disputa não elimina as suspeitas de irregularidades, ao contrário do que argumentam alguns governistas. ‘‘Se um juiz de futebol é ladrão e ainda assim o time que ele favorece perde, isso não quer dizer que o jogo seja limpo’’, comparou. Dutra disse ainda que a eventual renúncia do ministro é ‘‘secundária’’ diante da necessidade de investigar as privatizações. ‘‘Se a proposta de renúncia for para abafar o caso, sou contra.’’
O líder do PT no Senado, Eduardo Suplicy (SP), disse que, ‘‘antes de deixar o cargo’’, Mendonça de Barros precisa ‘‘esclarecer os fatos’’. Ele anunciou que vai apresentar um requerimento para convocar o presidente do BNDES, André Lara Resende, a depor no Senado. Para Suplicy, o depoimento de ontem não acabou com as suspeitas de que o governo manipulou a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) para favorecer o banco Opportunity.

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