Curitiba - Os adversários do prefeito Cassio Taniguchi (PFL) na Câmara de Vereadores querem retomar a discussão em torno do caixa dois. O vereador Adenival Gomes (PT) denunciou que a empresa Tucumann Engenharia e Empreendimentos doou R$ 220 mil para a campanha de reeleição de Taniguchi em 2000. O vereador frisa que a empresa é a mesma que foi beneficiada por um empréstimo não pago de US$ 1 milhão do Banestado, de acordo com as investigações do Ministério Público (MP) federal.
As doações da Tucumann fazem parte do livro-caixa da campanha de Cassio, onde foi registrada a suposta contabilidade paralela. De acordo com os registros, em agosto de 2000, a Tucumann doou R$ 100 mil para a campanha. Dois meses depois, em outubro, a empresa fez nova doação no valor de R$ 120 mil.
O vereador tem esperança que uma CPI, proposta pela bancada de oposição em 2001, seja instalada. O problema é que três CPIs estão em funcionamento, e outras nove aguardam na fila. Adenival Gomes disse que a investigação é necessária, e que a cobrança da população aumenta proporcionalmente ao volume de denúncias. ''Quando as pessoas sabem o que está ocorrendo, pressionam mais'', comentou. ''A instalação de uma CPI serviria para buscarmos identificar possíveis origens ilícitas dos recursos doados para a campanha do PFL'', completou.
O governador Roberto Requião (PMDB) comentou a denúncia do vereador. Através de sua assessoria, Requião disse que essas informações dão suporte às suspeitas levantadas. ''O que aconteceu em 1998 repetiu-se na campanha de 2000'', afirmou. Anteontem, o governador acusou Jaime Lerner (PSB), que o antecedeu no Palácio Iguaçu, de ter se beneficiado politicamente, nas eleições de 1998, de empréstimos feitos junto ao Banestado que nunca foram pagos. A assessoria do ex-governador considerou as denúncias ''inverídicas e absurdas''.
Cassio vai responder a uma ação eleitoral por ter omitido gastos na sua campanha à reeleição. No final de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) acatou denúncia do Ministério Público (MP) eleitoral, baseada em inquérito da Polícia Federal (PF). A PF apurou que o prefeito teria gasto na campanha R$ 632 mil a mais do que o declarado à Justiça Eleitoral.
A prefeitura foi procurada ontem, mas disse que não comentaria o caso. O advogado de defesa do prefeito, Luiz Alberto Machado, não retornou a ligação feita a seu escritório até o fechamento desta edição. A Folha não conseguiu contato com a direção da empresa Tucumann.

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