Curitiba - A bancada de oposição ao prefeito Beto Richa (PSDB) na Câmara anunciou ontem a proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as licitações da Prefeitura de Curitiba. A proposta foi motivada pelas denúncias de irregularidades em contratos da Prefeitura com empresas como a Construtora Iguatemi.
''A proposta é investigar as irregularidades já constatadas pelo Tribunal de Contas (TC) nessas licitações e outras que possam ser investigadas, como a da iluminação pública e do lixo'', explicou a vereadora Professora Josete (PT). ''Há muitas contradições nas informações repassadas pela Prefeitura. Acho que uma CPI é o instrumento adequado para trazer isso às claras'', defendeu o deputado estadual Tadeu Veneri (PT).
O grupo - composto por três vereadores do PT e outros dois do PMDB - precisa de 13 assinaturas para garantir a criação da comissão, um desafio já que dos 38 vereadores, 32 já declararam apoio ao prefeito. ''Estamos fazendo um trabalho de conscientização dos vereadores porque há muito receio do trabalho da oposição'', explicou a vereadora Noêmia (PMDB), líder do bloco de oposição.
Entre os vereadores que podem aderir à ideia da oposição está Julião Sobota (PSC). O presidente municipal da legenda, Lineu Tomass, participou da coletiva e anunciou que Julião deverá seguir a orientação do partido em relação à CPI. ''Ele tomou uma decisão sem nos consultar ao anunciar adesão à base de apoio, mas já conversou com a executiva do partido e aceitou atender às orientações da legenda nas questões mais relevantes.''
Julião confirmou à reportagem que seguirá as orientações do partido. Já o vereador Professor Galdino (PV), que se declarou independente, pretende
''procurar mais informações antes de tomar uma decisão''.
'Factóides'
Para o líder do governo na Câmara, vereador Mário Celso (PSB), a proposta da oposição é fruto de ''denúncias demagógicas e ideológicas''. ''Estão tentando provocar um efeito na mídia criando factóides'', criticou. Segundo ele, a criação da CPI seria uma ''irresponsabilidade'' e uma forma de ''aparecer no período pré-eleitoral''. ''Não é uma questão de negar a CPI. Mas vou orientar a bancada a não assinar o requerimento.''
''Se o PT quer informações que vá perguntar ao deputado Tadeu Veneri, que recebeu todas as informações da Prefeitura'', disse. ''As licitações que a Iguatemi venceu estão dentro dos parâmetros legais. A Prefeitura não tem como impedir a empresa de trabalhar'', defendeu Celso.

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