Opinião pública
Nunca o sentido da opinião pública foi tão perceptível na rapidez das respostas aos eventos reais como a reação negativa do público ao mais recente aumento do Judiciário. Embora a justificativa técnica da perda real dos seus salários de 15% em quatro anos abrandada pelo jeitinho dos R$ 4 mil e poucos do auxílio moradia, sabe-se agora pelo efeito cascata em outras categorias, correção de pensões, aposentadorias e benefícios, tudo isso redundará em R$ 42 bilhões em 2019. Também não escapou ao público o fundamento doutrinal da matéria que dividiu ministros nos 7 votos a 4, percebendo-se que os resistentes ao aumento também se alinham, em outras matérias, num posicionamento de maior rigor com a austeridade. O juízo de valor é feito no calor abrasivo das disputas, sejam elas jurídicas, políticas ou morais e com a imediata percepção reativa de como a maioria da população reage a tudo.
Aparentemente voltamos à ágora dos gregos na democracia direta da cidade-estado, guardadas, é claro, as proporções. No debate presidencial da Band deu para ter ideia de como essa visão do imediato se processa. O fato é que decisões como a negativa ao aborto na Argentina reproduziam o sentimento da maioria num determinado momento histórico. No Brasil, a luta do divórcio foi tensa e dura e passou por etapas suavizadoras como a da ação de Nelson Carneiro na conquista dos direitos da companheira que precederam a vitória final que não gerou o imaginário caos social profetizado pelos resistentes à ruptura do vínculo matrimonial.

Divisor
Nem todos os petistas concordam com a visão sebastianista dominante que pretende manter a aura de Lula como indispensável. Seu retorno, embora esse tom de relato lenda e com nítidos contornos religiosos, é a força de sustentação do grupo e de sua coesão. A minoria, mais racional, enxerga que a qualquer momento, provocada, a justiça se verá impelida a declarar a óbvia inelegibilidade do ex- presidente e daí em diante o sonho acalentado se transformará em irremediável pesadelo.
Ontem o vice de Lula, Fernando Haddad, após visitá-lo na prisão, deu o recado mandamental de que o plano 1, o de Lula candidato enquanto for possível, será rigorosamente mantido. Se há divisão em torno disso persiste também do papel que o ex-prefeito de São Paulo irá representar nessa novela. Uns querem a exposição do vice, outros desejam ocultá-lo. Uma extensão da outra dúvida em torno de até quando se manterá o mistério do Lula como o primeiro e único.

Drogas
No disparo, um projeto de lei que autoriza qualquer cidadão, ao deparar-se com usuário de droga na rua, poder imediatamente conduzi-lo a uma sociedade especializada em assistência a dependentes. Melhor isso do que criminalizá-los como se dava anteriormente, posto que não haja forma de intervenção sem risco no tema. A impotência gerada pelo problema está visível nos cracódromos que tomam conta das áreas centrais de Curitiba, sem que as autoridades mostrem um sinal de vida contra essa degradação urbana. Pode uma cidade, tomada pelos cracódromos, ser apontada como modelo de urbanismo?

Pequena mudança
Governador enquadrado, presidente da Assembleia também. O exemplo mais forte é o do Rio de Janeiro, mas aqui se dá quase o mesmo: Beto Richa enquadrado, Cida referida, Ademar Traiano e seu antecessor, Rossoni, também assinalado. Vivemos uma época diferente, aberta ao exame das propinas que antes era totalmente tolerado.
Não há qualquer espanto quando o Ministério Público faz esse tipo de acusação, mas é claro que não há propósito em comparar o caso do Rio de Janeiro com o nosso. Aqui há mais cautela e discrição, embora já não expressemos espanto diante dos casos denunciados como estes que decorrem de desdobramentos da Quadro Negro.

Riscos
Contabiliza-se entre os riscos do PT ao insistir na candidatura Lula de não apenas ser declarada a inelegibilidade como a adoção de providência radical de banir o partido da disputa. Nem essas advertências tiram os dirigentes do mundo zen em que permanecem.

Contágio
Todo mundo não quer saber de contágio com Michel Temer. Quem está preocupado com isso é João Doria, que passará a mostrar que seu adversário, Paulo Skaf, que é do MDB , é que está mais ligado. Também o próprio postulante do MDB, Henrique Meirelles, evita mostrar-se vinculado, embora tenha sido seu ministro mais importante.

Recuperação
Até agora a Petrobras, desde o início da Lava Jato, já recebeu R$ 2,5 bilhões em decorrência de acordos de colaboração premiada e leniência, algo que nunca havia ocorrido antes em nosso país.

Folclore
Petistas são os zen budistas da moda ao reagirem às notícias negativas sobre a inviabilidade da candidatura Lula. São zen por cento.

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