Opinião é da Nação, diz Brauer
Tasso Marcelo/Agência EstadoBRAÇOS DADOSO brigadeiro Brauer cumprimenta Geraldo Vandré: presença do compositor foi destoanteO brigadeiro Walter Brauer, que não levou família nem ex-colaboradores ao almoço, não discursou. Encurralado pelos jornalistas – ficou tão confuso que acabou entrando no banheiro feminino – limitou-se a dizer que o ponto de vista expresso no almoço não era apenas dos militares. ‘‘Isso não é uma revolta, isso é uma opinião não dos militares, mas da Nação’’, afirmou.
O encontro não reuniu muitos nomes de peso no meio militar ou civil – de políticos, por exemplo, registrou-se a presença do folclórico eterno candidato à Presidência da República, Enéas Carneiro (Prona).
Apesar de abrir seu discurso dizendo que a reunião não tinha como objetivo derrubar o governo, o brigadeiro Ércio Braga, o primeiro a falar, esquentou o clima. ‘‘Não se pode falar na legalidade de um governo que, por sua estratégia, torna-se ilegítimo’’, afirmou, entre aplausos. Ele classificou a demissão de Brauer, no último dia 17 – alegadamente por ter criticado de forma velada o ministro da Defesa, Élcio Álvares – de ‘‘um deboche ou um paradigma do ridículo’’.
Na mesma linha foram os pronunciamentos do presidente do Clube Militar, general Helio Ibiapina de Lima – conhecido representante da linha-dura do Exército – e do ex-chefe do Estado Maior das Forças Armadas (Emfa), general Jonas Morais Correia Neto. Em seu discurso, Correia Neto chegou a dizer que a ‘‘principal habilitação’’ para ser do governo, hoje, é a de ter sido ‘‘ativo na subversão ideológica de esquerda, de preferência assaltante de bancos, sequestrador, guerrilheiro urbano ou rural’’.
Não faltaram referências a supostas corrupções no governo. ‘‘Os cidadãos decentes estão cansados de tanto cinismo e de tantas sem-vergonhices’’, disse Correia Neto. Braga, numa ironia pesada, apontou que os militares não têm uma varinha de condão ‘‘que transforma parentes, amantes e corruptos contumazes em profissionais competentes’’.
Numa tentativa de acalmar os ânimos, o brigadeiro Murillo Santos garantiu em seu discurso que os militares não têm intenção de se imiscuir na vida política do País. ‘‘Ou ainda pensam que eles serão capazes de pegar em armas só porque acham que a Infraero não deve ser privatizada ou a aviação civil deve permanecer atrelada à Aeronáutica’’, disse.
Mais enigmático, Braga afirmou que o governo recebeu dos militares um ‘‘sinal amarelo’’ – e advertiu: ‘‘Virá o sinal vermelho’’.

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