Operador do PSDB tinha 11 cartões para contas suíças
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
Mario Cesar Carvalho/Folhapress 
São Paulo - O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, teve 11 cartões de créditos e de viagem ligados às quatro contas que mantinha na Suíça, segundo documentos daquele país incluídos na ação penal em que ele é acusado de ter recebido propina da Odebrecht e que resultou em sua prisão no último dia 19. De acordo com a documentação suíça, Paulo Preto gastou 135 mil francos suíços em cinco cartões, o equivalente a R$ 650 mil quando corrigidos pelo câmbio atual.
As quatro contas que o ex-diretor da Dersa mantinha na Suíça tinham um saldo de R$ 132 milhões quando foram descobertas pelas autoridades suíças, em 2017. Nesse ano, o saldo das contas foi transferido para as Bahamas, numa tentativa de evitar que os recursos fossem confiscados, segundo a acusação da Lava Jato. A força-tarefa pede a Paulo Preto que explique se os cartões eram dele mesmo ou se foram emitidos em benefício de algum político.
Dois dos cartões estavam em nome da ex-mulher do engenheiro, Ruth Arana de Souza. Outro foi emitido para o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, com saldo de 10 mil euros.
O cartão de Aloysio, ainda de acordo com a documentação suíça, foi entregue em um hotel em Barcelona, na Espanha, no final de 2007.
Àquela época, Aloysio era o secretário mais importante do governo de José Serra (PSDB), chefiando a Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo.
Foi nesse ano também que teve início a obra em que o ex-diretor da Dersa é acusado de operar propinas para o PSDB: o Rodoanel Sul. Paulo foi nomeado diretor de engenharia da Dersa também em 2007.
Aloysio já negou enfaticamente que tenha recebido recursos ilícitos do ex-diretor da Dersa ou de qualquer outra fonte. A Folha de S.Paulo procurou o advogado José Roberto Santoro, que defende Paulo Preto e Aloysio, mas não conseguiu localizá-lo.


