Curitiba – A situação tensa que já tomava conta do meio político em Brasília nos últimos dias, deve piorar nas próximas semanas. O lobista Fernando Antonio Soares, conhecido como "Baiano", e apontado pelas investigações da Lava Jato como operador da propina para o PMDB no esquema de desvios de dinheiro da Petrobras , é mais um dos investigados pela operação que está prestes a fechar um acordo de colaboração premiada com os procuradores do Ministério Público Federal (MPF).
Ele foi encaminhado do Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), para a carceragem da Polícia Federal (PF), e ontem falou por mais de três horas com o defensor que deve assumir as negociações. Sérgio Guimarães Riela, que vai assumir sua defesa, informou que o processo ainda é incipiente e que nenhum representante do MPF participou do encontro. "Ainda estou conversando com o Fernando para vermos qual será o nosso posicionamento frente às investigações. Hoje é apenas nossa segunda reunião com ele. Ele ainda deve falar com sua família antes de oficializarmos nossa representação", afirmou. Ele ainda ressaltou que se reunirá novamente com Baiano na próxima terça-feira, para "bater o martelo".
A equipe de advogados comandada pelo jurista Nélio Machado, que defende Baiano até então, sempre manifestou contrariedade com qualquer negociação com os procuradores. David Teixeira Azevedo e André Azevedo, que integram a equipe, inclusive renunciaram ao caso na última semana. Em petição protocolada dentro do processo que tramita na Justiça Federal do Paraná, eles explicaram que estão deixaram a defesa de Baiano "por motivo de foro íntimo". Nélio Machado ainda não se pronunciou se deixa ou não seu cliente.
Considerado pelos investigadores uma das "peças-chave" de todo o esquema, Fernando é réu em duas ações penais que tramitam na Justiça Federal do Paraná. Em uma delas ele é acusado de ser o responsável pelo pagamento de propinas ao ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró. Segundo as investigações, Baiano intermediou propina de US$ 40 milhões na compra de duas sondas da coreana Samsung, nos anos de 2006 e 2007, por US$ 1,2 bilhão. O negócio também teve como intermediário o consultor Júlio Camargo, que se tornou um dos delatores. Em interrogatório realizado em julho, Camargo disse que Baiano atuava como uma espécie de sócio oculto do deputado e presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele disse ter pagado US$ 10 milhões em propina no esquema, sendo que US$ 5 milhões teriam sido destinados a Cunha; e os outros US$ 5 milhões para Baiano. Fernando também é acusado dos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção no processo em que também são réus o presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht; e outros executivos da empresa.

ALEGAÇÕES FINAIS


Ainda na defesa de Baiano perante à Justiça Federal do Paraná, Nélio Machado apresentou ontem ao juiz Sérgio Moro as alegações finais na ação movida contra o lobista por lavagem de dinheiro e corrupção ativa no caso da venda das sondas. Ele argumentou que o delator Júlio Camargo disse ter pagado comissão a Baiano, não "propina", como os investigadores apontam. Ainda não se sabe se, caso o acordo seja fechado, ele continue no caso. Nélio já foi advogado do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, mas deixou sua defesa quando ele decidiu por um acordo de delação.

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