'Operador do PMDB' se entrega à PF
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quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Rubens Chueire Jr. e Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
Curitiba - O lobista Fernando Antônio Soares Falcão, conhecido como Fernando Baiano, e apontado pelos procuradores da Lava Jato como operador do PMDB dentro do esquema de corrupção na Petrobras, se entregou ontem à tarde, por volta das 17 horas, na sede da Polícia Federal em Curitiba. Ele teve a prisão temporária decretada na última sexta-feira, mas não tinha sido encontrado pelos agentes da PF. Com sua prisão, apenas Adarico Negromonte Filho, apontado pela investigação como subordinado de Youssef, segue foragido. Os advogados de Fernando Baiano tinham impetrado com um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), antes dele ter se entregado. Entretanto, a Corte negou o pedido.
Baiano foi citado tanto pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, quanto pelo doleiro Alberto Youssef, nos interrogatórios prestados na Justiça Federal do Paraná. Eles reforçaram que o lobista seria o responsável por intermediar o pagamento de propina a políticos do PMDB e que teria ligações com o diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. O advogado Márcio de Oliveira Filho não compareceu à sede da PF, mas, antes de seu cliente se entregar, já tinha declarado que Baiano estaria disposto a colaborar com as investigações. Moro ainda determinou que o Banco Central encaminhe à Justiça Federal os dados bancários de Baiano.
Outros presos continuaram com os depoimentos prestados aos delegados da PF. Em um deles, o diretor de Óleo e Gás da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, admitiu que pagou propina após ser extorquido por Youssef e Costa. Acompanhado de seu advogado, ele teria confirmado que o dinheiro seria repassado, posteriormente, para o Partido Progressista (PP). "Caso ele não concordasse a empresa seria prejudicada em outros contratos com a Petrobras", ressaltou o advogado José Luis de Oliveira Lima.
A Justiça Federal do Paraná determinou a quebra de sigilo fiscal e bancário de 15 presos na sétima fase da operação Lava Jato, entre eles a do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e de demais executivos de empreiteiras. Além disso, o juiz também autorizou a quebra de sigilo de empresas ligadas a Duque e a Fernando Baiano. São elas: Technis Planejamento e Gestão em Negocio, a Hawk Eyes Administração e a D3TM Consultoria e Participações Ltda. A Justiça já tinha decidido bloquear as contas das três empresas na última semana.
O juiz federal Sérgio Moro acatou parcialmente pedido feito no fim da tarde pelo MPF e transformou a prisão preventiva (por cinco dias) em preventiva (por prazo indeterminado) de cinco diretores das construtoras Camargo Corrêa, OAS e UTC/Constram, além do ex-diretor da petrolífera Renato Duque.
No caso deste último, Moro assinala que a fortuna mantida no exterior em sigilo indica perigo de fuga em caso de condenação. "Corre-se, sem a preventiva, o risco do investigado tornar-se foragido e ainda fruir de fortuna criminosa, retirada dos cofres públicos e mantida no exterior, fora do alcance das autoridades públicas", despachou.
O magistrado arbitrou liberdade para quatro outros diretores da OAS, Queiroz Galvão e Iesa, e afastou da função o agente da Polícia Federal Jayme Alves de Oliveira Filho. Entretanto, eles estão proibidos de mudar de residência sem autorização judicial ou de deixar o País.


