São Paulo - Uma das empresas de João Augusto Rezende Henriques, preso ontem sob suspeita de ser um dos operadores do PMDB na diretoria internacional da Petrobras, recebeu R$ 20 milhões de empreiteiras suspeitas de integrarem o esquema de corrupção na estatal. A Justiça Federal, em Curitiba, determinou ontem a prisão temporária de Henriques e de José Antunes Sobrinho, um dos sócios da construtora Engevix, na 19ª etapa da Operação Lava Jato, apelidada de "Nessun dorma" - expressão em italiano que significa "Ninguém dorme". Essa fase da operação investiga a suspeita de desvios em contratos da estatal Eletronuclear
Henriques é apontado pelo Ministério Público Federal como uma espécie de preposto do ex-executivo da Petrobras Jorge Luiz Zelada, preso desde julho, para recolher e repassar propina em contratos da diretoria internacional, no Brasil e no exterior. Os investigadores detectaram que a Trend Empreendimentos, que pertence a Henriques, recebeu transferências bancárias da Andrade Gutierrez, da Mendes Júnior, da UTC e do Consórcio Novo Cenpes (liderado pela OAS) e de empreiteiras menores no valor de R$ 18,4 milhões. Além disso, a Procuradoria também encontrou evidências de que a Engevix pagou outros R$ 1,8 milhão à firma de Henriques. A Procuradoria sustenta que a empresa não tem capacidade técnica e que contratos de assessoria às grandes empreiteiras eram somente um disfarce para a propina.
"Há fundada suspeita de que ele teria intermediado o pagamento de propinas em contratos da Petrobras para dirigentes da referida empresa e para agentes políticos ainda não identificados", escreveu o juiz federal Sérgio Moro, ao justificar a prisão de Henriques.
Uma das operações suspeitas envolvendo a Trend Empreendimentos ocorreu em 2011, quando ela distribuiu R$ 1,4 milhão a títulos de lucro para Vitor Pereira Delphim, que nunca foi sócio da empresa. Henriques entregou-se no início da tarde de ontem e Delphim foi levado para prestar depoimento à Polícia Federal. No pedido de prisão, os investigadores também dizem ter encontrado rastros da atuação de Henriques como operador de suborno em outros negócios da área internacional: o contrato de afretamento do navio-sonda Titanium 10000 por US$ 1,8 bilhão com a Vantage Drilling e um contrato de US$ 825 milhões vencido pela Odebrecht para serviços de segurança, meio ambiente e saúde em ativos da estatal no exterior.

ENGEVIX

José Sobrinho, da Engevix, já é réu num processo por suspeitas de participação no esquema de corrupção da estatal. No dia 15 deste mês, o juiz federal Sergio Moro aceitou a denúncia contra o executivo e mais 14 pessoas, entre elas o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Outro foco da investigação são os desdobramento da 15ª fase da "Conexão Mônaco", que investiga agentes públicos e políticos que tenham se beneficiado de recebimento de propina no exterior proveniente da Diretoria de serviços da Petrobras.
A Eletronuclear já foi alvo de uma fase anterior da Lava Jato, no final de julho, quando foram presos o presidente licenciado da estatal, almirante Othon Pinheiro da Silva, e o executivo da Andrade Gutierrez Energia, Flávio David Barra.
Na época, foram investigados desvios em contratos da usina nuclear Angra 3. O então presidente da Eletronuclear teria recebido R$ 4,5 milhões em propina, por meio de contratos de fachada com as empreiteiras Engevix e Andrade Gutierrez. Ele e outras 13 pessoas foram denunciados à Justiça e respondem à acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Os investigadores verificaram que uma empresa sediada no Brasil recebeu entre 2007 e 2013 cerca de R$ 20 milhões de uma empreiteira que é alvo da Lava Jato.

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