Um dos operadores do esquema de lavagem de dinheiro de auditores da Receita Estadual de Londrina, o administrador de empresas João Roberto de Souza, confirmou ontem, em interrogatório perante o juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, que entre 2011 e 2014, repassou pelo menos R$ 1,7 milhão para a empresa PF&PJ Soluções Tecnológicas, registrada em nome de Antonio Pereira Júnior e Leila Raimundo Pereira, irmão e cunhada do auditor José Luiz Favoreto Pereira, ex-delegado da Receita Estadual de Londrina, que, segundo o Ministério Público (MP), seria o verdadeiro dono da PF&PJ.
João Roberto de Souza operava em quatro empresas do setor de alumínio do mesmo dono, Carlos Eduardo de Souza, que não é réu por ter sido o primeiro a fazer as denúncias e firmado acordo de delação premiada com o MP, e também outras duas empresas de fachada, criadas especialmente para dar suporte às fraudes: a Leandro Capelanes e a Tarfil. O administrador é réu colaborador do MP, que, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou em março do ano passado a Operação Publicano. O interrogatório de João Roberto faz parte da ação relativa à terceira fase da operação.
Ao juiz, João Roberto declarou que seu interlocutor era o auditor Luiz Antonio de Souza, preso desde janeiro do ano passado ao ser flagrado em um motel com uma adolescente de 15 anos (ele também responde por crimes sexuais). Seria Souza quem lhe indicaria quais valores deveriam ser transferidos para a PF&PJ, versão que afronta totalmente a defesa de Favoreto e de seu irmão, que sustentam que a empresa existia de fato e que o auditor não tinha qualquer influência nos negócios geridos pela empresa.
O montante de R$ 1,7 milhão foi apontado pelo MP somando todos valores depositados ou transferidos para as contas da PF&PJ ou de Pereira Júnior. Foram transferidos das quatro empresas de Carlos Eduardo, da Leandro Capelanes, de uma empresa de tubos e de uma empresa do próprio administrador delator. O esquema também envolvia a emissão de notas fiscais pela PF&PJ para essas empresas, cujo objetivo era dar ar de legalidade à empresa de fachada.
Outra informação repassada pelo administrador, que chegou a ter salário de R$ 25 mil mensais, foi de que todo mês, o auditor Luiz Antonio de Souza emprestava entre R$ 400 mil e R$ 500 mil para as empresas de Carlos Eduardo. "Uma vez ele mencionou que não tinha dinheiro e ia ver com o Favoreto." Porém, não soube dizer qual o desfecho da situação.

A Publicano 3 apura outros fatos de suposta lavagem de dinheiro por Favoreto. "O que foi descrito na denúncia foi devidamente corroborado pelo que foi produzido na instrução até agora", declarou o promotor Jorge Barreto da Costa, responsável pela denúncia.

Hoje, serão ouvidos o empresário Sarquis Sâmara e sua espera Marilúcia Sâmara, além de outra empresária. Na quarta-feira, devem ser interrogados outro casal de empresários e Favoreto.

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