Operação Voldemort
Em dezembro de 2014, o "testa de ferro" de Luiz Abi Antoun na oficina, Ismar Ieger, se mostra incomodado com um funcionário, indicado possivelmente por Abi, que "não sabia fazer nada". Ele conversa com o advogado José Carlos Lucca, que demonstra ligação próxima com Abi.
Ieger: Esclarece uma dúvida minha: o que Fernando vai fazer aqui na oficina? Só pra mim direcionar aqui as coisas pra ele...
Lucca: Nós vamos ter que conversar, viu Ismar.
Ieger: Aham
Lucca: A gente quando teve aquela conversa junto com Luiz...
Ieger: Aham
Lucca: E tem coisas que a gente próprio, nós temos que dar uma direcionada, entendeu...
(...)
Lucca: Deixa eu chegar, porque o Luiz vai estar por aí...
Ieger: Hoje?
Lucca: Acho que hoje à tarde ou amanhã.
Ismar: Ta bom.
Lucca: E aí a gente já define isso.
Ieger: Então beleza, obrigado doutor.
Em 16 de janeiro, Ieger identificou-se como sócio de Abi ao solicitar da Sercomtel agilidade em pedido de portabilidade dos serviços. A telefônica tem como vice-presidente Eloíza Pinheiro Abi Antoun, mulher de Abi. Ieger reclamava da demora e, mais ao final da conversa, mencionou a sociedade com Abi.
Ieger: Eu sou sócio do Seo Luiz Abi... cara... não queria falar com ele, queria a gente resolver o mais rápido possível, mas já faz vinte dias cara...
Atendente: Nossa, faz tempo hein?
Ieger: Faz vinte dias cara... então eu tenho reunião com o Seo Luiz Abi... eu acho que ele não vai querer ouvir isso aí, meu... e é simples... é só uma linha telefônica e uma internet e faz vinte dias...
No dia 4 de fevereiro, Roberto Tsuneda avisa Abi que Ieger estaria precisando que pagasse algumas contas da oficina. Abi autoriza os pagamentos.
Abi: Oi?
Tsuneda: Oi.
Abi: Hã?
Tsuneda: O Ismar tá precisando que pague algumas daquelas contas lá e a moto também.
Abi: O quê?
Tsuneda: A moto! A moto que ele comprou.
Abi: A moto que estava lá, era de quem?
Tsuneda: Não, ele comprou de um, de um rapaz, pra pode fazer o 'vai e vem' aí.
Abi: Tá bom...
Tsuneda: Pra diminuir o gasto com combustível.
Abi: Faz.
Tsuneda: Pode pagar?
Abi: Não, viu, duzentos, cem reais, não regula muito não, tá? Se não desanima o cara.
Em telefonema no dia 18 de dezembro, quando o Tribunal de Contas do Paraná suspendeu liminarmente o contrato com a Providence, Ernani Delicato orienta Ieger, caso fosse procurado na oficina, a dizer que somente estava prestando serviços já autorizados. Na conversa, Delicato também mencionou que a Procuradoria Geral do Estado estava tentando reverter a situação.
Ieger: Alô?
Delicato: Oi, Ismar... Ernani, tudo bem?
Ieger: Tudo bem e você?
Delicato: Tudo joia... Ismar, é o seguinte cara, vamos alinhar as coisas pra gente fazer as estratégias... o serviço vai continuar, tá?
Ieger: Tá...
Delicato: Mas entre hoje e amanhã se alguém te perguntar aí... você só tá executando as ordens de serviço que já estavam aprovadas...
Ieger: Tá...
Delicato: Porque o Tribunal mandou suspender... claro que nós não vamos suspender. Não tem nem como, não tem cabimento isso! Mas...
Ieger: Verdade?
Delicato: Verdade, o "cara" é um sarno... ele entrou lá no Tribunal de Contas e um Conselheiro, Corregedor Geral em exercício, deu pra suspender, mas a PGE já tá tratando disso, mas assim, a nossa estratégia é que se alguém perguntar hoje ou amanhã, porque segunda as coisas mudam... você tá atendendo só o que tava em aberto, porque você já foi orientado pelo Estado pra segurar... entendeu?





