Curitiba - Oito pessoas foram detidas ontem, no Paraná, no início da Operação Quadro Negro, dedicada a elucidar fraudes em licitações na área da Educação. Apenas dois funcionários públicos de Sarandi, na região metropolitana de Maringá, não foram localizados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que reúne membros do Ministério Público e das polícias Civil e Militar. As suspeitas recaem sobre prefeituras, empresas e organizações não-governamentais (ONGs), investigadas por direcionamento de licitações, sobrepreço e inexecução de serviços.
Ficarão sob custódia da polícia, por até quinze dias, sete pessoas detidas no município da Lapa. Dentre elas está Paulo Furiatti (PMDB), ex-prefeito da cidade, por conta de uma licitação realizada em 2012, no final da sua gestão. No caso de Sarandi, onde um funcionário público foi detido preventivamente, não há prazo para a soltura. Fora o ex-prefeito da Lapa, cuja prisão ''vazou'' para a imprensa no começo da tarde, sendo depois confirmada pelo procurador de Justiça Leonir Batisti, coordenador estadual do Gaeco, nenhuma outra pessoa foi identificada. Isso prejudicaria o andamento das investigações, segundo o MP, voltadas agora para os crimes de formação de quadrilha, fraude à licitação, peculato e corrupção.
''A gente acha que (o caso) ultrapassa os limites do Paraná, pois os particulares são de Minas Gerais'', diz o promotor de Justiça Cláudio Esteves, do Gaeco de Londrina, para a FOLHA. A unidade pé-vermelha do grupo de repressão ao crime organizado conduziu parte da Operação Quadro Negro, junto com as promotorias das cidades envolvidas, pois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cinco municípios do Paraná. Os membros do Gaeco também agiram em Araucária, Curitiba e Palmeira. ''Nessas cidades, as investigações são desdobramentos das ações principais, em Sarandi e na Lapa'', explicou Batisti.
Ações semelhantes foram realizadas em Santa Catarina, Minas Gerais e Brasília, com o apoio dos Gaecos regionais. ''Supostamente as ONGs prestariam serviços na área da Educação, mas não há confirmação que eles tenham sido executados'', alega Esteves. Documentos sobre convênios firmados com a Associação Nacional de Apoio aos Municípios (ANAM), Instituto Fox, Instituto Eco XXI e Instituto Brasileiro de Arte e Educação estão sob análise. A nona prisão ocorreu fora do Paraná, em Minas Gerais, onde foi detido um dos empresários ligado às organizações suspeitas.

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