Operação Quadro Negro investiga mais cinco escolas
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sábado, 23 de janeiro de 2016
Adriana De Cunto e Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - Mais cinco obras de escolas estaduais começaram a ser investigadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP) do Paraná. Agora são 15 as reformas ou construções na mira da Operação Quadro Negro, que apura desvio de dinheiro público. A principal empresa responsável é a Valor. Os novos inquéritos foram instaurados pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), da Polícia Civil, e dizem respeito aos colégios Doracy Cezaruno, de Curitiba; Coronel Vivida e Linda Salamuni, de Ponta Grossa (Campos Gerais); Pedro Carli e Marlene Jacob, de Guarapuava (Centro-Sul). As duas últimas intervenções eram conduzidas pela M.I Construtora.
Segundo nota oficial do Nurce, o objetivo é averiguar se houve organização criminosa, falsidade ideológica, uso de documentos falsos e fraude em licitação. O coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, explicou que a suspeita é que nessas cinco escolas também tenha sido aplicado o mesmo golpe constatado nas outras dez. De acordo com ele, primeiro foram emitidos falsos atestados de medições das obras, garantindo que as construções ou reformas estavam praticamente prontas. Na realidade, porém, elas mal foram iniciadas. Por conta desses falsos atestados, pagamentos indevidos foram feitos às construtoras. Ou seja, as empresas receberam por serviços não realizados.
A Justiça já acatou denúncia contra 15 pessoas que estariam envolvidas no escândalo, sendo que três delas estão presas. Entre os réus estão o ex-vereador de Curitiba Juliano Borghetti, irmão da vice-governadora Cida Borghetti (Pros), e o ex-diretor de Engenharia, Projetos e Orçamentos da Superintendência de Desenvolvimento Educacional (Sude), da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Maurício Fanini. Os valores desviados podem chegar a R$ 18 milhões. O Gaeco também investiga se parte da verba foi usada em campanhas eleitorais. A FOLHA não conseguiu contato telefônico com as empresas M.I. Construtora e Valor.
Questionada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Seed não deu detalhes sobre as obras suspeitas, nem informou quantos e quais contratos são alvo da sindicância interna, instaurada em maio de 2015. A pasta enviou apenas uma nota, dizendo que seguiu as recomendações do Tribunal de Contas (TC). "Para conclusão das construções, inicialmente é necessário que essas obras passem por perícia para aferir o real estado de cada uma. Após a realização das perícias, serão abertas novas licitações para conclusão", disse. A previsão é que os pregões ocorram no segundo semestre deste ano.


