Operação prende empreiteiros por fraude
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terça-feira, 28 de junho de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Dezenove pessoas, entre engenheiros, empresários e um servidor público, foram presas ontem, acusadas de participar de um esquema que burlava e direcionava os resultados de licitações vultuosas na área de construção civil para obras públicas de interesse do Paraná. Entre as principais obras que seriam contratadas estão licitações para construção e ampliação de rodovias em valores que variavam entre R$ 70 milhões e R$ 150 milhões. De acordo com o delegado Sérgio Inácio Sirino, titular do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), o esquema funcionava com a articulação da Associação Paranaense dos Empresários e Obras Públicas (Apeop) que escolheria a empreiteira ganhadora de licitações públicas em reuniões sigilosas.
Sirino aponta que ficou comprovada a participação de servidores públicos nas fraudes, através de informações privilegiadas. ''O esquema só funcionava com a articulação dos servidores, que entregavam como se fosse uma cópia dos gabaritos das concorrências públicas para a Apeop. Como se você fosse fazer uma prova em concurso público e tivesse o resultado antecipado. Em alguns casos, havia direcionamento da licitação com exigências de químicos responsáveis para favorecer a construtora Triunfo'', declarou Sirino.
O consórcio formado pela Triunfo e BR Distribuidora Petrobras S/A foi um dos beneficiários do esquema, segundo o delegado do Nurce, pois venceu uma licitação no valor de R$ 72 milhões, depois que uma outra construtora a Delta, de São Paulo desistiu da ação que havia interposto contra o resultado da concorrência. Em troca da desistência, a Delta teria sido a escolhida para vencer uma outra licitação da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec). ''Nos chamou a atenção o fato de a Petrobras trabalhar com a venda de petróleo e ser a vencedora de concorrência para construção de estradas no ano passado e passamos a investigar. Descobrimos que as licitações eram dirigidas'', pontuou.
A força-tarefa para a prisão dos suspeitos foi formada por policiais civis do Nurce, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais (Tigre). Foram expedidos 27 mandados de prisão temporária e outros 44 de busca e apreensão em seis cidades paranaenses (Curitiba, Maringá, Guaratuba, Quatro Barras, São José dos Pinhais e Guarapuava), em São Paulo e no Rio de Janeiro. Foi apreendida quase uma tonelada em documentos e computadores, além de R$ 45 mil em dinheiro. Pela manhã, 17 pessoas foram presas. Entre eles: Emerson Gava (presidente da Associação Paranaense dos Empresários em Obras Públicas), Emerson Ambrósio Kravetz (engenheiro e ex-prefeito de Guaratuba), Todos negaram que soubessem os motivos que os levaram para a prisão.
Ao todo, cerca de 200 policiais civis participaram da Operação Grande Empreitada, além de 30 delegados. ''Dinheiro do povo é sagrado e não pode ser roubado. Poderíamos ter preços mais baixos nas licitações não fosse a existência dessa prática de manipulação das licitações. Não é possível que a lei seja fraudada em benefício de poucos'', afirmou o governador Roberto Requião (PMDB), na reunião semanal do secretariado. ''As empreiteiras articularam-se para não participarem de concorrências e esvaziavam a licitação. Nós éramos obrigados a aumentar o preço para que eles aparecessem. Mesmo assim, o DER trabalhou neste Governo com preços 25% abaixo do governo anterior. Isto significou uma economia de R$ 250 milhões nos anos passado e retrasado em obras. Foi então que tivemos que atuar diretamente nesta Associação, que era a sede do conluio. Fomos na raiz do problema'', complementou o governador.
Pela manhã, os advogados ainda não sabiam os motivos alegados para a decretação judicial da prisão temporária dos acusados. A prisão foi decretada por cinco dias, para que possam ser feitas as averiguações necessárias e as apreensões em escritórios de empreiteiros do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. (Colaborou Andréa Lombardo)


